Presos são ouvidos fora da PEL 2
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sábado, 31 de outubro de 2015
Celso Felizardo<br>Reportagem Local 
A comissão dos Direitos Humanos se reuniu ontem com três presos da unidades dois da Penitenciária Estadual de Londrina (PEL 2) para averiguar as condições dos detentos 25 dias após a rebelião. A reunião que ocorreria na própria unidade prisional, inclusive com vistoria do prédio, foi transferida para a Casa de Custódia de Londrina, na outra margem da PR-445. Duas mulheres de presos acompanharam a conversa.
De acordo com o promotor da Vara de Execuções Penais (VEP), Eduardo Diniz Neto, os três presos, escolhidos por sorteio, e os familiares foram informados dos termos do cronograma de obras emergenciais e transferências, firmado entre o governo estadual e o Ministério Público, que prevê que em 25 dias, cerca de 600 detentos estarão abrigados nas celas que estão em reforma. Cerca de 150 já estão nas celas.
"Todos os internos estão a par dos esforços que estão sendo desenvolvidos externamente pelos órgãos responsáveis, pela própria comunidade e familiares para a retomada das condições normais. Isso tem trazido um alento para todos", comentou. Segundo o promotor, o MP tem feito pedidos individuais de transferências e todos têm sido deferidos, porém o desejo da maioria é continuar na penitenciária. Diniz Neto informou que desde a rebelião, 220 presos já foram transferidos.
Questionado sobre a reclamação dos familiares em relação à demora no repasse das informações, o promotor disse que o MP tem mantido contato constantemente. "O que houve foram possíveis desencontros de informações. Assim que colocados às claras, esses pontos são bem digeridos e compreendidos por todos", justificou.
A presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara de Vereadores, Lenir de Assis, disse que embora não tenha sido autorizada a entrada na PEL 2, os três presos relataram o que efetivamente está acontecendo lá. "Tomamos nota daquilo que nós já tínhamos ouvido, mas algumas questões se acentuaram, como a condição de pessoas doentes dentro desses pátios, pessoas surtando. Eles estão seminus há quase um mês lá dentro, sem condições mínimas de higiene", denunciou.
A vereadora informou que os próximos passos da comissão serão ampliar a transparência com os familiares e depois da fase de emergência, cobrar a retomada dos projetos, aulas, oficinas. "Isso o Estado precisa reconstruir para que a vida do sistema carcerário atenda com segurança a sociedade."
As mulheres se reuniram em uma mercearia ao lado da PEL 2 para aguardar o resultado da reunião. Alguns membros dos Direitos Humanos foram abordados pelo grupo para fornecer mais informações. Kauane Camila dos Reis, esposa de um detento que participou da reunião, comentou que a comissão tranquilizou, em parte, os parentes. "Em todo lugar os Direitos Humanos têm acesso aos presídios após as rebeliões, só aqui que isso não acontece", criticou. Segundo ela, a principal agonia é que as informações não são individualizadas. "Eles falam que os presos estão bem, mas sabemos que tem gente doente. Não consigo saber se é o meu marido ou não. Essa é a pior parte."


