Presos são mortos no ABC
Agência Estado
Quatro presos que estavam no seguro, cela onde ficam apenas os homens jurados de morte em uma carceragem, foram assassinados a golpes de estiletes e a pauladas pelos próprios presos, dentro da Cadeia Pública de São Bernardo do Campo, na região do ABC, no início da manhã de ontem, após uma tentativa frustrada de fuga. De acordo com informações da polícia, no fim da madrugada, os detentos arrombaram o cadeado da cela do seguro, que fica próxima da sala dos dois carcereiros de plantão, e começaram a chamar por um deles.
Ao perceber que os presos que estavam gritando não eram os jurados de morte, o policial resolveu não abrir a carceragem. Pouco depois, por volta das 7 horas, iniciou-se uma briga entre os presos, que acabaram matando quatro detentos do seguro.
Foram mortos: Reinaldo Mendes de Araújo, de 24 anos, preso por roubo; Aguinaldo Pereira da Silva, de 27, acusado de matar um policial militar; Luís Roberto Félix dos Santos, de 19, detido por latrocínio (roubo seguido de morte), e Cleres Ferreira Santos, de 30. Todos eles entraram na cadeia este ano.
Os detentos quebraram os cadeados de todas as celas. Um boletim de ocorrência relatando as mortes foi registrado no 1º Distrito Policial de São Bernardo do Campo. A polícia não conseguiu identificar, até o fim da tarde de ontem, os autores dos homicídios.
Ontem, os policiais também não conseguiram revistar os presos para saber especificamente que tipo de arma havia na carceragem. A revista deve acontecer hoje.
A Cadeia Pública de São Bernardo possui 452 presos, mas tem capacidade apenas para abrigar 108 homens. No período noturno, ficam de plantão dois carcereiros, que são encarregados de cuidar de todos os presos aglomerados na carceragem.
Apenas no ano passado, ocorreram no Estado 546 tentativas de fuga e 148 rebeliões envolvendo cadeias, distritos policiais e a carceragem do Departamento de Investigações sobre Crimes Patrimoniais (Depatri). Houve também 37 resgates de detentos e 5.888 presos conseguiram fugir das carceragens sob administração da Secretaria de Segurança Pública. Este ano, até o início de junho, já ocorreram 41 rebeliões e 1.832 presos conseguiram fugir.





