Atendendo determinação da Secretaria de Segurança Pública, os seis sem-terra presos há cinco dias durante operação de reintegração de posse da Fazenda Santa Maria, em Ortigueira (150 km ao sul de Apucarana) foram transferidos ontem para a delegacia de Ponta Grossa. O clima era de tensão na cidade, com dezenas de sem-terra acampados, desde às 7 horas, num terreno próximo ao Fórum. Portando cartazes, eles aguardavam o julgamento do pedido de liberdade provisória para os companheiros presos.
Desde sábado, corriam boatos de que os sem-terra poderiam ser resgatados na delegacia de Ortigueira. Policiais militares foram colocados de prontidão mas, mesmo assim, o delegado Valter Helmult preferiu requerer à Secretaria de Segurança a transferência dos sem-terra.
‘‘Temos cerca de 80 sem-terra acampados na cidade e não sei qual seria a atitude deles, no caso de a Justiça negar a concessão de liberdade provisória aos seis líderes do grupo’’, justificou o delegado de Ortigueira.
Segundo revelou uma funcionária do Fórum, a juíza Adriana Katsuraiama não julgou ontem o pedido do advogado do MST porque o Ministério Público da Comarca requereu que fossem anexados ao processo as certidões negativas de antecedentes criminais e comprovantes de residência fixa dos sem-terra.
Os presos são José Pedro Calixto, Arlindo de Matos, Aristides dos Santos, Lourival Lesse, Luiz Castorino de Souza e Valdecir Bordignon. Eles foram levados ontem, em uma viatura da Polícia Civil, até a delegacia de Ponta Grossa.
Eles foram indiciados por manter a família de Nelson Bataglia, administrador da Fazenda Santa Maria, em regime de cárcere privado, além de porte ilegal de armas, furto de dois tratores e formação de quadrilha.
Apesar de terem manifestado o direito de só se pronunciarem perante juízo, dois deles acusam os policiais militares de terem agido com violência no cumprimento do mandado de reintegração de posse. Bordignon e Lesse passaram por exames de lesões corporais e o laudo confirma que ambos tiveram escoriações na região do tórax.
No inquérito instaurado no dia 29 de abril, com prazo de 10 dias para ser encaminhado à Justiça, já foram ouvidos vários policiais militares, que negaram qualquer tipo de violência ou confronto com os sem-terra. O administrador da fazenda e sua esposa também prestaram depoimentos, confirmando que eram mantidos em regime de cárcere privado. Ainda ontem seriam ouvidos três integrantes do MST, que presenciaram o cumprimento da reintegração de posse da Fazenda Santa Maria.

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