Presos são assassinados em Andradina
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terça-feira, 20 de fevereiro de 2001
Das agências De São Paulo 
Três presos foram encontrados asfixiados num furgão da polícia no município de Andradina (640 km de São Paulo), o que eleva para 19 o número de detentos mortos nos motins registrados domingo em 29 penitenciárias do Estado de São Paulo. Os três estavam condenados por assaltos a penas que variam de 20 a 50 anos. Eles deveriam ser transferidos para outro presídio e permaneceram durante oito horas dentro do carro.
Ao lado dos corpos, outros três detentos estavam desmaiados. Eles confessaram o assassinato dizendo que tinham desavenças que começaram dentro da prisão. Os agentes penitenciários responsáveis pelo transporte foram indiciados em inquérito. O responsável da Coespe, Sérgio Ricardo Salvador, afastou o diretor de Seguraça e Disciplina do presídio, que vai responder na Corregedoria da secretaria a um processo administrativo.
O nome do diretor não foi divulgado. Ele terá de explicar por que trancou os seis detentos no camburão sabendo que tinham sérios problemas de relacionamento na cadeia.
Ontem a polícia realizou ontem uma revisão exaustiva do maior presídio da América do Sul, o complexo de Carandiru, em São Paulo, ao mesmo tempo em que começavam as investigações para determinar quem organizou os motins e se houve conivência de funcionários.
Com a situação sob controle dos 29 presídios que se declararam em rebelião no domingo, mantendo milhares de reféns, as autoridades policiais revisaram cela por cela o gigantesco Carandiru, cujos dois presídios e nove pavilhões acolhem cerca de 10 mil presos, em busca de armas, telefones celulares e talvez mais cadáveres.
Os resultados das revisões começaram a ser divulgados pela imprensa local: centenas de armas brancas de fabricação caseira e doze telefones celulares. Em um dos centros de Carandiru, foram localizadas cinco armas de fogo, informaram representantes da comissão de direitos humanos que acompanha as revisões para garantir que os presos não sejam maltratados.
Essa comissão, integrada por parlamentares e representantes de organizações de direitos humanos e que interveio na pacificação de Carandiru, iniciou uma investigação que examinará todos os aspectos do motim e em particular a possibilidade de ter existido a conivência de funcionários.
O presidente do Sindicato de Funcionários de Prisões de São Paulo, Nílson de Oliveira, advertiu que as rebeliões do domingo foram apenas um ensaio do que está para acontecer, uma megarebelião.
O Ministério da Justiça vai encaminhar ao Congresso Nacional um anteprojeto de revisão da Lei de Execução Penal que prevê a perda do direito à liberdade condicional em caso de uso de telefone celular pelo preso. Até o dia 24 o governo mantém o texto na íntegra na internet, na página do Ministério da Justiça, para comentários e sugestões do público.


