Rio, 19 (AE) - Uma tentativa de fuga de presos da 40ª Delegacia Policial, em Honório Gurgel, na zona norte do Rio, terminou em rebelião, hoje de manhã. Durante quatro horas, os detentos mantiveram o carcereiro William Silva, de 45 anos, como refém. O motim acabou após negociação entre os presos e os secretários de Segurança Pública, coronel Josias Quintal, e de Justiça, Sérgio Zveiter, em que ficou acertada a transferência de 80 homens, já condenados, para o presídio Ary Franco, em água Santa, na zona norte da cidade.
Inicialmente, os presos seriam levados para a penitenciária Milton Dias Moreira, uma das unidades do Complexo da Frei Caneca desativada há um mês, mas o secretário de Justiça desistiu da idéia porque o local está em péssimo estado de conservação. Os 80 presos, todos já condenados por crimes como tráfico de drogas, assalto a mão armada e assassinato, foram colocados num ônibus do Departamento do Sistema Penitenciário (Desipe), sob forte esquema de segurança, e transferidos no começo da tarde. Rebelião - Segundo o delegado titular da 40ª DP, José Otílio Bezerra, a rebelião começou por volta das 8h30 no segundo andar, depois que os presos conseguiram serrar as grades de uma das celas e dominar o carcereiro que se preparava para fazer o confere (contar o número de homens). Os detentos seriam levados para tomar o banho de sol no pátio. Os presos que estavam no primeiro andar não participaram do motim. "Eles me seguraram e colocaram um estoque (arma feita com um pedaço de alumínio, com a ponta cortante) no meu pescoço", contou Silva. "Eles não me ameaçaram de morte e disseram apenas que queriam fugir", afirmou.
A fuga foi frustada por um funcionário da delegacia que fechou o portão que dá acesso ao primeiro andar e onde fica a saída da delegacia, impedindo que os rebelados chegassem na rua. Durante o motim, eles atearam fogo a roupas e bolas de futebol, além de destruírem com cadeados duas câmeras de TV que ficavam no segundo andar. A delegacia tem capacidade 130 presos, mas abrigava pelo menos 183 homens. O governador, Anthony Garotinho (PDT), justificou a superlotação na delegacia afirmando que a polícia está prendendo mais criminosos.

mockup