Presos rebelados matam 3 em São Paulo
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segunda-feira, 12 de maio de 1997
Agência Estado, de Praia Grande 
Uma nova rebelião de presos na Praia Grande, litoral sul de São Paulo, deixou três mortos e 17 feridos e até o final da tarde de ontem a tensão era grande na cadeia da delegacia da Vila Tupi. Uma comissão de presos tentou negociar com delegados e promotores a transferência dos 37 presos que têm direito a regime semi-aberto. As autoridades concordaram com a remoção de dez dos 37 detentos. Mas apenas quatro dos dez presidiários que seriam transferidos foram liberados por seus colegas rebelados e os outros seis devem ser removidos hoje pela manhã.
A rebelião começou por volta da 1h30 da madrugada de ontem, quando a fuga preparada pelos presos foi frustrada por um carcereiro, que viu um deles tentando sair pelo telhado. Quando a revista ia ser iniciada, os presos rebelaram-se, colocando fogo em colchões e panos dentro das celas. Ao saírem, tomaram como reféns os detentos das celas de segurança e passaram a agredir os estupradores e delatores.
Dois deles foram mortos com golpes de estilete: José Carlos Moreira Brás, 30 anos, suposto estuprador, e José Rosa dos Santos Filho, 36, que matou uma família inteira. Outro detento foi morto com um tiro na cabeça, mas a polícia não confirma essa versão. Paulo Sérgio dos Santos Filho, portador do vírus HIV, segundo relato de presos, dormia fora da cela por causa das complicações pulmonares e teria sido confundido com um fugitivo. Não posso dizer se alguém morreu baleado, só o exame do médico legista irá esclarecer, disse o diretor da cadeia, delegado Carlos Toffer Schneider.
Além dos três mortos, outros 17 detentos das celas de segurança foram feridos e 12 deles foram levados para a Santa Casa de Praia Grande e depois voltaram para cadeia. Do lado de fora do presídio, cerca de 50 pessoas aguardavam notícias de seus parentes presos e a tensão era grande, já que as informações eram desencontradas. Vários bilhetes foram escritos por dententos e entregues aos familiares, que aguardavam com ansiedade o desfecho da rebelião.
Os policiais conseguiram firmar acordo com os rebelados por volta de meio-dia. Os presos apresentaram uma lista com dez nomes de pessoas que deveriam ser transferidas para outros presídios fechados e concordaram em voltar às celas. Só que, logo depois, resolveram liberar os colegas apenas quando os 37 que tem direito à prisão semi-aberta fossem removidos.
A nova exigência fez com que a tensão aumentasse. Às 15 horas, quatro presos foram liberados para serem transferidos e outros seis ficaram retidos, só devendo deixar Praia Grande hoje pela manhã. No final da tarde, apenas três vagas haviam sido encontradas em regime semi-aberto e os promotores Marcelo Orlando Mendes e Paulo Penteado Teixeira Júnior juntaram-se aos delegados Elpídio Ferrazini e Carlos Toffer Schneider para negociar o fim da rebelião com a comissão formada por quatro presidiários.
Como os colchões e o sistema elétrico da cadeia foram destruídos, provavelmente os presos só poderão voltar às celas hoje. Essa foi a quinta rebelião ocorrida na Baixada Santista nos últimos 20 dias, com cinco mortes registradas. Na cadeia de Vila Tupi, em Praia Grande, a capacidade carcerária é de 80 detentos, mas ela abriga 275. A última fuga conseguida ali foi em novembro, quando 12 presos escaparam. Desde então, houve outras 18 tentativas frustradas.


