Presos rebelados espancaram escrivão da delegacia de Colombo
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domingo, 16 de julho de 2000
Zeca Corrêa Leite De Curitiba 
Uma tentativa de fuga movimentou ontem por cerca de duas horas a Delegacia de Polícia de Colombo, na Região Metropolitana de Curitiba. Dos 37 presos, nem todos aderiram ao motim. O líder da fuga frustrada foi o homicida e estuprador Júlio Cesar Alves de Lima. Saiu ferido o escrivão Mário Teixeira, 45 anos, que apanhou de Alves de Lima. O escrivão foi socorrido pelo Siate, depois encaminhado para o Pronto Socorro. No momento da tentativa, estavam trabalhando na delegacia somente ele e o investigador Osmar Carneiro. Não havia carcereiros.
Aproximadamente 50 homens da Polícia Militar e das corporações especiais da PM Cope e Grupo Tigre participaram da operação. O delegado do Tigre, Riad Braga Farhat, foi o responsável pelas negociações com o detento Rivair Pacheco de Oliveira, preso por homicídio. Segundo o delegado de Colombo, Erineu Portes, a última tentativa de fuga ocorrida no município aconteceu no final do mês de janeiro, há seis meses. Depois disso, segundo ele, teriam ocorrido outras que ninguém ficou sabendo.
A tentativa de fuga aconteceu às 14 horas, quando o escrivão foi levar a um dos presos refeição entregue por seus familiares. Nesse momento as celas se abriram, e Teixeira foi rendido por seis homens. Os cadeados tinham sido serrados. Os detentos avisaram que queriam fugir, mas Alves de Lima aproximou-se do escrivão e começou a agredi-lo. A versão corrente na delegacia ontem era de que Alves de Lima vingou-se de Teixeira por ter sido o escrivão quem lavrou o flagrante de homicídio, que o prendeu.
Dos 37 presos na delegacia a capacidade é para 24 , vários queriam ser transferidos para a Colônia Penal Agrícola, em Piraquara, também na Região Metropolitana. A remoção foi o tema central das negociações comandadas por Riad Farhat. Foi tudo tranquilo, comentou o delegado do Tigre. Ele disse que será levantado o número de presos que se rebelaram, mas a princípio acreditava-se que não chegavam a 15.
O agressor, Júlio Cesar Alves de Lima, preso depois de jogar solvente e incendiar um garoto, responderá a um novo processo, agora por lesões corporais contra o escrivão. Alves de Lima foi transferido para a delegacia de Colombo há cerca de dois meses, depois de passar seis meses no Manicômio Judiciário. É um débil mental, disse o escrivão. Há 21 anos na polícia, Mário Teixeira nunca tinha apanhado. Numa crítica ao governo, desabafou: Pagam 300 reais para a gente correr este risco de vida.
O delegado Erineu Portes afirmou que hoje os líderes da tentativa de fuga serão removidos para outro local, mas qualquer medida é paliativa. Amanhã podem ocorrer nova fugas. Segundo ele, a situação da polícia hoje é caótica, escrivães fazem o papel de carcereiros, os problemas são diários e tudo o que se faz é na base do improviso. Não vejo solução imediata. Todas as cadeias da Região Metropolitana estão superlotadas, criticou. O delegado acredita que as autoridades só se preocuparão com o setor quando morrerem escrivãos e investigadores.


