Paulo Pegoraro
De Cascavel
A Polícia prendeu ontem quatro suspeitos pela chacina ocorrida no final da tarde de terça-feira em um acampamento de sem-terra no município de Rio Bonito do Iguaçu (sudoeste do PR). As quatro pessoas (o casal e seus dois filhos) foram mortas a tiros e degoladas por três homens. Embora a polícia não libere informações sobre os crimes, a Folha apurou que se trata de ‘‘queima de arquivo’’ (eliminação de testemunhas).
O delegado que preside o inquérito, Ítalo Biancardi Neto, disse que a identidade dos presos será preservada ‘‘por enquanto’’ para facilitar as investigações. A Folha recebeu a informação de que um dos presos seria Rosemir da Luz Borges, 21 anos, foragido da polícia, condenado a 8 anos de prisão por assalto em Laranjeiras do Sul. Ao ser indagado sobre a informação de que outro preso é uma pessoa da região, que teria ligações com roubo de madeira, desmanche de carros e o narcotráfico, o delegado silenciou. Esta pessoa seria o mandante da chacina.
Embora alegue a necessidade de sigilo, o delegado disse que os crimes ‘‘podem’’ ter sido cometidos ‘‘para assegurar a impunidade de outros’’. No caso de Rosemir Borges, ele confirmou a prisão de um homem ‘‘não sem-terra’’ em um barraco no assentamento, com o qual foi encontrado um facão com manchas de sangue e uma escopeta. Inicialmente, havia a informação de que teriam sido utilizadas apenas facas, para a degola das vítimas, e armas de cano longo, calibre 12. Na verdade, foram usados facões e também um revólver calibre 38, além de calibre 12.
O casal Aldenir Almeida de Souza (34) e sua esposa, Noeni Marcanssoni (24), seriam testemunhas de crimes atribuídos a um dos presos. Em breve, deveriam prestar depoimento em juízo. Além deles, foram, mortos seus filhos Roni Anderson, 3 anos, e Paulo Antonio, 5 anos.
A família chacinada morava em um barraco no Assentamento Marcos Freire, onde há 578 famílias e, junto com outras 92, integrava a Associação dos Produtores da Reforma Agrária, uma ‘‘dissidência’’ local do MST apoiada pela Prefeitura de Rio Bonito do Iguaçu. Em nota distribuída ontem, a coordenação regional do MST sustenta que entre os ‘‘dissidentes’’ estão infiltrados ‘‘bandidos de alta periculosidade ligados ao narcotráfico, roubo e desmanche de carros, sequestro e contrabando de armas’’.
A nota acrescenta que ‘‘líderes políticos’’ e autoridades de Rio Bonito do Iguaçu e o Incra ‘‘sempre foram sabedores da existência da referida máfia’’. O MST porém não dá mais detalhes da acusação. A Folha não conseguiu contatar os promotores de Laranjeiras do Sul, que solicitaram a decretação da prisão temporária dos acusados pelos crimes.

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