Londrina - Os cinco presos acusados de estarem ligados a dois dos três ataques a ônibus, ocorridos na semana passada em Londrina, poderão responder por pelo menos cinco tipos de crimes, inclusive formação de quadrilha ou bando. Eles foram presos na última sexta-feira durante megaoperação da Polícia Civil e Militar realizada no Conjunto União da Vitória (Zona Sul).
Apesar disso, a polícia afirma não acreditar no envolvimento do grupo com facções criminosas que estariam determinando os atentados do interior do Centro de Detenção e Ressocialização de Londrina (CDRL). A unidade foi citada em bilhetes deixados pelos criminosos nos dois primeiros atentados, sugerindo que dentro do presídio estaria acontencendo algum tipo de opressão contra os presos.
De acordo com o delegado chefe da 10 SDP, Sérgio Barroso, os cinco estão sendo acusados de ter praticado também crimes de incêndio, posse ilegal de armas, tráfico de drogas e associação ao tráfico. Dos cinco, quatro estão na Penitenciária Estadual de Londrina (PEL) e um no CDR. ''Eles negam todos os fatos, mas temos informações que comprovam que pelo menos um deles possa ter sido o mandante das ações; outros dois foram reconhecidos por vítimas e dois também teriam sido vistos no dia dos atentados. Estamos apenas terminando de recolher provas contra eles'', disse Barroso.
A polícia também está com prisão decretada para autuar uma sexta pessoa envolvida nos crimes, mas, segundo o delegado, tudo indica que tenha conseguido fugir da cidade. ''No dia da operação encontramos malas e a porta de sua residência aberta, mas continuamos nas buscas para encontrá-lo''.
Fontes ligadas à polícia dão indício de que o próprio grupo estaria temendo ações de integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC) e essa é uma das informações que estaria contribuindo para a polícia descartar o envolvimento do PCC nos ataques. Segundo Barroso, facções criminosas costumam assumir suas ações. Em entrevista à Folha, a direção do Sindicato dos Agentes Penitenciários do Estado do Paraná (Sindarspen) em Londrina, afirma não descartar o envolvimento de presos do PCC, que estão no CDR, terem algum tipo de envolvimento com os crimes.
Uma das principais hipóteses investigada pela polícia para o atentado contra os ônibus seria um protesto do grupo contra o Poder Judiciário, pedindo a agilização dos benefícios de progressão de regime a presos do CDR.
Vandalismo
Pelo menos dois dos quatro adolescentes acusados de atearem fogo contra um ônibus na última sexta-feira, foram apreendidos. Os adolescentes tentaram repetir a ação, mas o incêndio foi contido pelo motorista. Segundo Barroso, outros dois adolescentes que teriam participado do incêndio, que aconteceu no Jardim Paulista, continuam sendo procurados e até o final da tarde de ontem ainda não haviam sido encontrados. ''Eles disseram apenas que um deles, que inclusive é um dos que ainda não foi pego, mandou que eles incendiassem o ônibus. Não acreditamos que tenha qualquer ligação com os dois primeiros atentados'', descartou o delegado.

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