Presos policiais suspeitos de extorquir criminosos
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terça-feira, 17 de março de 2009
Diego Ribeiro<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Dez policiais civis foram presos, ontem, na região de Curitiba, suspeitos de formarem uma quadrilha que extorquia criminosos sob a condição de deixá-los livres ou de não comprometê-los em investigações. As extorsões, segundo o Ministério Público do Paraná (MP-PR), giravam em torno de R$ 2 mil e R$ 50 mil.
Entre os presos estão a delegada titular da Delegacia do Alto Maracanã, em Colombo (Região Metropolitana de Curitiba), Márcia Marcondes, e o superintendente da mesma unidade, José Braga. Além deles, dois advogados, três outros funcionários da delegacia, um funcionário da Prefeitura de Colombo cedido ao fórum local e mais quatro pessoas fariam também parte do esquema. Quatro pessoas ainda estão foragidas, mas todos os policiais supostamente envolvidos estão presos.
A prática teria sido descoberta em setembro do ano passado, quando o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) começou a investigar as suspeitas ao lado da Secretaria da Segurança Pública (Sesp). ''Foi uma operação de combate à corrupção, conduzida pelo Gaeco. Toda a estrutura da delegacia (do Alto Maracanã) estava envolvida'', afirmou o secretário da Segurança Pública, Luiz Fernando Delazari.
Segundo o procurador chefe do Gaeco, Leonir Batistti, foi constatado pelas investigações que o grupo cometia três espécies de golpes. ''O primeiro acontecia após uma prisão. Um advogado era chamado para fazer o intermédio e pedir dinheiro para familiares para fazer um possível acerto'', explicou Batistti.
De acordo com ele, a outra modalidade ocorria quando traficantes eram presos com pouca quantidade de droga e poderiam ser autuados em flagrante apenas por uso de droga. Assim, assinariam um termo circunstanciado e seriam liberados. ''Eles faziam, digamos, um flagrante furado, para poder extorquir'', contou. Além destas alternativas de extorsão, os policiais e o restante da quadrilha procuravam traficantes para ameaçá-los e cobrar uma determinada quantia para não inclui-los em investigações.
Documentos foram apreendidos dentro da delegacia. De acordo com Delazari, eles comprovariam todo o esquema e mostrariam, exatamente, o tempo em que a quadrilha agiria. ''Não há dúvida nenhuma na prática desses crimes'', afirmou.
A quadrilha estaria, ainda, envolvida em uma suspeita de venda de criança, no final do ano passado. De acordo com Batistti, a polícia foi procurada por uma mãe que queria dar um bebê. A suspeita ainda não foi confirmada pela investigação.
Após a operação, nenhum policial que trabalhava na delegacia do Alto Maracanã permenaceu no trabalho. Ontem e hoje, ainda deve permanecer uma equipe provisória, solicitada pela Sesp. Delazari afirmou que, em breve, novos delegados, concursados recentemente, serão lotados na unidade.
O advogado da delegada, Beno Brandão, afirmou que sua cliente nega qualquer ato ilícito de que esteja sendo acusada. O defensor disse que não conseguiu ler o inquérito para comentar as provas. A defesa de Braga informou, também, que ainda não conhece o conteúdo da investigação e que deve se pronunciar hoje.


