Presos policiais e políticos acusados de crime no Paraná
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terça-feira, 04 de março de 2008
Andréa Lombardo<br>Equipe da Folha 
Curitiba- Operação desencadeada, ontem, em seis municípios do Oeste do Paraná pelas polícias Federal, Civil e Militar resultou na prisão de 47 pessoas suspeitas de integrar quadrilha responsável por crimes de contrabando, descaminho e tráfico de drogas. O caso vinha sendo investigado pelo juiz da Vara Federal Criminal de Umuarama, Jail Benites Azambuja, que, na noite da última quinta-feira, foi vítima de um atentado. Outras três pessoas que também tiveram mandados de prisão expedidos por suposto envolvimento, continuavam foragidas, até o final da tarde de ontem.
De acordo com o superintendente da Polícia Federal (PR) no Paraná, Delci Teixeira, dos presos, 36 são policiais militares e oito são policiais civis. Também, foram detidos dois vereadores -de Ivaté e Cruzeiro do Oeste- e o vice-prefeito de Alto Paraíso. Entre os foragidos, está um empresário que, segundo ele, seria o mentor das ações criminosas e estaria no Paraguai.
A operação, batizada de ''Forças Unidas'', reuniu 166 policiais federais, civis e militares, que cumpriram, ainda, 51 mandados de busca e apreensão -um para cada mandado de prisão e o último em uma concessionária de veículos de luxo, em Umuarama. Além deste município, a operação aconteceu em Icaraíma, Iporã, Ivaté, Cianorte, Cruzeiro do Oeste e Alto Paraíso.
Teixeira informou que um inquérito foi instaurado pela PF, em Maringá -para onde os presos seriam levados-, para dar continuidade às investigações. O que se pretende é apurar o envolvimento de cada um nas atividades criminosas. As investigações da quadrilha foram iniciadas pela Justiça Federal de Umuarama em parceria com o Ministério Públco Federal (MPF). Suspeita-se que o atentado contra o juiz Jail Azambuja tenha sido uma tentativa de intimidá-lo em razão dessas investigações.
No último domingo, um tenente da PM e dois outros homens foram presos sob suspeita de terem sido os responsáveis pelo atentado. O juiz foi abordado, ao chegar em casa, na noite da última quinta-feira, por dois homens em uma motocicleta. Eles atiraram várias vezes contra o carro do magistrado. Seis disparos atingiram o veículo, mas ele e um funcionário da Justiça Federal, que o acompanhava, sairam ilesos.
Segundo Teixeira, no domingo, uma testemunha prestou depoimento durante mais de 10 horas. A partir dessas informações e com o que já vinha sendo investigado, os mandados de prisão foram expedidos.
O resultado da operação foi apresentado pelo superintendente da PF e pelo secretário de Estado da Segurança Pública, Luiz Fernando Delazari, em coletiva, na tarde de ontem. Segundo Delazari, a participação dos policiais será apurada no decorrer das investigações, mas, em princípio, o envolvimento seria na facilitação dos crimes cometidos pela quadrilha, corrupção ativa e passiva. O secretário informou, ainda, que irá estudar alternativas para reestrurar as forças policiais nos municípios que ficaram com o efetivo desfalcado por conta das prisões.


