Presos podem ter atendimento médico
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terça-feira, 14 de abril de 1998
Marcelo Faria de Barros Agência Estado 
Luiz Carlos Leite/Agência Estado
(Não é permitida a reprodução total ou parcial desta foto dentro ou fora do Brasil)
Do grupoReprodução de foto de Maria Emília Marchi (com o neto no colo, na prisão), uma das sequestradoras de Abílio Diniz Os sequestradores do empresário Abílio Diniz poderão ser transferidos de suas celas para ambulatórios médicos da Casa de Detenção, em São Paulo. A decisão será tomada se eles apresentarem problemas de saúde em consequência da greve de fome que realizam desde segunda-feira. A informação foi confirmada ontem pelo secretário de Administração Penitenciária, João Benedito de Azevedo Marques. Se a greve de fome for mantida e houver a necessidade de atendimento médico, eles serão removidos para os ambulatórios dos presídios do Complexo do Carandiru, explicou Marques.
Ontem houve uma tentativa de rebelião num dos presídios onde estão os sequestradores por parte de outros presos. Eles fizeram um refém por conta do clima de confusão instalado no presídio em razão da greve de fome. A situação foi rapidamente controlada. O fato levou o juiz Otávio Augusto Machado de Barros Filho, corregedor da Vara das Execuções Criminais, a suspender todas as autorizações para entrevistas com os sequestradores concedidas aos jornalistas.
Também ontem, a comissão formada por deputados estaduais e federais do Partido dos Trabalhadores e do PC do B e por advogados foi à Penitenciária Feminina da Capital. Durante duas horas, os representates da comissão conversaram com a canadense Christine Gwen Lamont e com a chilena Maria Emília Honória Badilla Marchi. Christine cumpre 28 anos de prisão; Maria Emília, 26.
De acordo com o deputado estadual Paulo Teixeira (PT), membro da comissão, as duas mulheres apresentavam sinais de abatimento. Após 24 horas de greve de fome, Christine e Maria Emília aparentavam estar fisicamente abatidas, contou. Até agora, só ingeriram água. Embora abatidas, elas estão decididas a continuar a greve de fome até que haja uma solução política para o caso, acrescentou.
InsistênciaAs duas mulheres dividem uma mesma cela próximo ao ambulatório. A comissão não visitou os demais sequestradores. Os argentinos Humberto Eduardo Paz, o Juan, seu irmão, Horácio Enrique Paz, o canadense David Robert Spencer, os chilenos Ulisses Fernando Gallardo Acevedo, Sérgio Martins Olivares Urtubia, Pedro Alejandro Fernandez Lenbach e Hector Ramon Collante Tapia, e o brasileiro Raimundo Rosélio da Costa Freire, estão recolhidos na Penitenciária do Estado. Eles continuam a greve de fome.
O protesto visa a pressionar o governo federal a expulsar os nove estrangeiros do grupo e a conceder ao brasileiro um benefício especial cujo nome jurídico é graça, extinguindo a punibilidade. Eles alegam que, como militantes do Movimento de Esquerda Revolucionária (MIR), do Chile, e das Forças Populares de Libertação de El Salvador (FPLS), cometeram um crime político ao sequestrar em dezembro de 1989, o dono do Grupo Pão de Açúcar, mas foram condenados como criminosos comuns.


