Presos planejavam explodir muro da Detenção
Presos planejavam explodir muro da Detenção2/Mar, 22:19 Por Mauro Carvalho da Silva e Marcelo Godoy São Paulo, 02 (AE) - A Secretaria da Administração Penitenciária informou hoje que presos do Pavilhão 8 da Casa de Detenção de São Paulo, na zona norte, pretendiam explodir a muralha do presídio e escapar durante o carnaval. O anúncio foi feito após a descoberta de 25 quilos de explosivos e 9 armas, durante uma blitz. O secretário-adjunto da Administração Penitenciária, Mário Jordão Toledo Leme, suspeita que a explosão estava sendo planejada por assaltantes de banco. "Conseguimos evitar o pior", disse. A informação sobre a existência dos explosivos no Pavilhão 8 surgiu dias atrás. Ao tomar conhecimento dela, a direção da Detenção determinou uma investigação. Detonadores - Às 14 horas de hoje, os funcionários encontraram 25 quilos de explosivo conhecido como "anfo" (composto de nitrato de amônia e combustível). Foram apreendidos ainda vários apetrechos próprios para detonações, como 17 espoletas, 150 iniciadores de explosão pirotécnicos, 23 pavios, além de 7 revólveres calibre 38, 1 pistola semi-automática 380 milímetros e outra de 7,65 mm. O material estava numa sacola enterrada e coberta por três lajes de concreto no setor de conservação hidráulica do pavilhão. "Os presos confeccionaram com os explosivos espécies de bananas, como as de dinamite", explicou Leme. Segundo ele, as bombas iam ser usadas para abrir uma passagem na muralha que fica ao lado da Avenida General Ataliba Leonel, no Carandiru. O secretário-adjunto não acredita que o plano dos presos fosse o de realizar uma fuga em massa. "Um pequeno grupo participaria da ação", afirmou. No Pavilhão 8, encontram-se 1.643 presos, todos reincidentes. Gate - Assim que os explosivos foram encontrados, a direção do presídio determinou aos funcionários que se afastassem o local. Depois, chamou o Esquadrão Antibombas do Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate) da Polícia Militar, que retirou o material para análise. Por ordem do delegado-geral, Marco Antonio Desgualdo, as armas foram levadas ao Departamento de Investigações sobre Crimes Patrimoniais (Depatri), para que seja identificada sua origem. "O material cabia numa meia sacola de roupa, dessas distribuídas por lojas de shopping center", comparou Leme. O secretário-adjunto informou que será aberta sindicância administrativa para saber como os explosivos e as armas entraram no presídio. "Queremos identificar os responsáveis e saber se houve a participação de funcionários", afirmou.





