Presos pedem transferência de líderes
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quarta-feira, 31 de dezembro de 1997
José Maria Tomazela Agência Estado Sorocaba 
Os presos rebelados da Casa de Detenção de Sorocaba, a 92 quilômetros de São Paulo, propuseram ontem a transferência dos 11 líderes para presídios de outros estados como condição para libertar os mais de 600 reféns. Eles exigem também a transferência de quatro presos que cumprem pena no Anexo Penitenciário de Taubaté. A proposta foi feita no final da tarde ao secretário da Administração Penitenciária, José Benedito de Azevedo Marques, por um dos líderes da rebelião, o preso José Márcio Felício, condenado a 25 anos.
O diálogo entre o líder e o secretário foi intermediado, por exigência dos presos, por três repórteres de televisão. Queremos ser transferidos para outros estados, porque cadeia em São Paulo é patifaria, disse Felício. O secretário, que assumiu as negociações, ao meio-dia, disse que o pedido de transferência era mais razoável que o de um carro forte para a fuga, apresentado inicialmente pelos rebelados. Isso deixamos claro que não íamos ceder, afirmou. Os presos pediram também garantias de vida. Segundo o secretário, as negociações continuariam à noite. Eles quebraram um código de honra da cadeia, fazendo rebelião em dia de visita, e agora querem uma saída honrosa, afirmou.
Além dos 11 líderes da rebelião, os presos querem que sejam transferidos Ademar dos Santos, José Eduardo Moura da Silva, César Luis da Silva e Misael Aparecido da Silva, todos do presídio de Taubaté. Esses presos fazem parte do Primeiro Comando Paulista (PCC), organização à qual pertencem os rebelados. O juiz corregedor de Sorocaba, Maurício Vallala, que acompanhou as negociações, pediu à Justiça de Taubaté informações sobre os quatro detentos. O secretário disse que qualquer acordo só será fechado quando os presos concordarem em libertar os reféns.
TensãoA proposta de acordo surgiu depois de um dia tenso. De manhã, com a chegada da tropa de choque de São Paulo, familiares dos presos, que desde domingo estão na frente do presídio, ameaçaram derrubar os portões de ferro. PMs afastaram os manifestantes ameaçando-os com bombas de efeito moral. A gritaria e o choro fizeram com que o secretário determinasse ao comandante do batalhão de choque, coronel Jairo Paes de Lira, a retirada da tropa.
Antes, os rebelados haviam agredido Newton dos Reis, preso por estupro, na parte mais alta do presídio. Reis estava jurado de morte. Eles exibiram uma faca e uma camisa manchada. Depois ataram Reis a uma corda feita com lençóis e o desceram. A TV gravou as cenas. Mas o diretor do presídio, Willo Rogério, disse que aquilo pode ser sido encenação, com os presos usando groselha como sangue. Eles fazem de tudo para criar um clima de tensão, afirmou. Até o final da tarde, não havia informações sobre o preso supostamente esfaqueado. Não temos acesso ao local onde estão, mas estão garantindo que não há ninguém ferido por lá, disse o diretor.


