São Paulo A polícia anunciou ontem o envolvimento de outros dois homens na morte dos estudantes Liana Friedenbach, 16, e Felipe Silva Caffé, 19. Um deles, Antonio Matias de Barros, 48, teria guardado a espingarda de caça utilizada para matar Felipe. O outro suspeito, identificado como Antonio, seria caseiro do local que serviu para manter Liana em cativeiro.
Os dois homens foram detidos ontem de manhã e Barros já teve a prisão temporária decretada pela Justiça. De acordo com o delegado seccional de Taboão da Serra (Grande SP), Sílvio Balangio, a prisão temporária dos suspeitos vai ajudar a determinar se eles sabiam que estavam ajudando em um crime.
A polícia conseguiu identificar os outros dois envolvidos a partir das declarações do menor R.A.A.C., 16, conhecido como Xampinha, e de Aguinaldo Pires, 41. O menor, preso na segunda-feira, confessou o crime e mostrou à polícia o lugar onde estavam os corpos. A polícia ainda procura pelo pintor Paulo Cesar da Silva Marques, conhecido como Pernambuco.
A arma utilizada no crime, apreendida pela polícia na casa de Barros, foi uma espingarda calibre 28, usada para caça. A arma será enviada para a perícia.
Os depoimentos de R. e Pires serviram, segundo a polícia, para obter mais detalhes do crime. Segundo o delegado seccional de Taboão, Xampinha e Pernambuco teriam visto o casal no sábado, por volta das 11 horas, enquanto andavam pela mata para caçar tatu. Teriam decidido chamar Pires e voltado para assaltar os jovens. Por volta das 18 horas, o trio teria abordado Felipe e Liana.
Como não encontraram dinheiro com os adolescentes, eles teriam decidido, então, mantê-los reféns até o dia seguinte para tomar uma decisão. Na versão dos presos, Felipe tinha dito que não tinha dinheiro, e Liana afirmou pertencer a uma família rica.
No domingo, os jovens foram obrigados a andar por uma trilha. Felipe na frente, seguido por Pernambuco. A cerca de cem metros, Xampinha e Pires se detiveram com Liana. Pernambuco teria disparado um tiro na nuca do rapaz. Liana, segundo o que disseram os presos à polícia, não viu a cena, mas ouviu o tiro.
Pensando em pedir resgate, o grupo teria levado Liana à casa de Antonio. Segundo R., ela só tremia e chorava muito e, por duas vezes, chegou a perguntar pelo namorado. Percebendo a movimentação policial na mata, eles teriam resolvido sair com Liana durante à noite. Segundo o delegado, a proximidade da polícia assustou o grupo e fez com que eles decidissem matar a jovem na madrugada de quarta-feira.
Pernambuco teria dado o primeiro golpe, com uma faca de cozinha, no pescoço. R. teria desferido os outros golpes. A faca, então, teria sido jogada na mata e ainda não foi localizada.

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