Presos os principais traficantes de madeira do Pará
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quinta-feira, 18 de março de 1999
por Gabriela Athias Enviada Especial 
Belém, 19 (AE) - A Polícia Civil do Pará prendeu ontem à noite um dos principais envolvidos no tráfico de madeira do Pará: Edio Ferreira dos Reis, de 40 anos. Ele vendia notas fiscais para serrarias clandestinas e outras empresas do setor, localizadas nos principais pólos madeireiros do Estado, como Paragominas, Rondon do Pará e Tomé-Açu, onde está concentrada a maioria das serrarias. A prisão de Ferreira dos Reis é um dos primeiros resultados da operação deflagrada pela polícia para conter a venda ilegal de madeira nativa.
Ferreira dos Reis foi preso em flagrante enquanto datilografava uma nota fiscal no valor de R$ 3.220 para uma empresa de Fortaleza. O delegado Vicente de Paulo da Costa, titular da Divisão de Investigações e Operações Especiais (Dioe)
informou que a polícia vai investigar as empresas para quem ele remetia às notas. No escritório de Ferreira dos Reis, na periferia de Belém, foram encontrados dois blocos fiscais com mais de 200 notas expedidas para empresas de outros Estados. "Vamos investigar os compradores dessa madeira para tentar identificar todos os envolvidos nesse comércio", diz o delegado.
O esquema utilizado por Ferreira dos Reis é um dos mais comuns no tráfico de madeira no Pará: é o chamado "serraria de gabinete". O projeto de extração de madeira ou da serraria existem apenas no papel para possibilitar ao proprietário requisitar junto aos órgãos competentes (Secretaria de Estado da Fazenda e Instituto do Meio Ambiente - Ibama) documentos legais, como nota fiscal e carimbo de Regime Especial de Transporte (RET). Toda madeira serrada que circula em território brasileiro precisa estar acompanhada de nota fiscal com carimbo RET. Com as notas fiscais e o carimbo RET, Ecio Ferreira dos Reis transformava madeira extraída de área ilegal e serrada em empresa clandestina em produto legal. O superintendente do Ibama no Pará, Paulo Koury, admite ser muito difícil para um fiscal , de qualquer um dos postos de fiscalização, identificar se a madeira que está sendo transportada e "guiada" (acompanhada de documentação legal) não tem a mesma procedência identificada na nota e no carimbo RET.
O promotor de justiça junto a Sefa, Nelson Pereira Medrado, diz que essa identificação "é praticamente impossível". Ele conta que as notas fiscais consideradas suspeitas são as que contém fraudes muito grosseiras, como autenticação bancária (nenhuma nota fiscal é autenticada por banco) ou vem acompanhadas de Documento de Arrecadação Estadual (DAE) com autenticação bancária feita aos domingos e feriados.


