Rio, 26 (AE) - Quatro homens - dois deles policiais militares - estão presos por ser suspeitos de pertencer a uma quadrilha que extorquia traficantes do Morro da Congonha, em Madureira, zona norte do Rio. O delegado Raul de Castro, da 29ª Delegacia Policial, acredita que há outros policiais civis e militares envolvidos no caso. "Temos pelo menos mais dois PMs nessa história e queremos pegá-los até segunda-feira", disse ele.
Os soldados Alessandro de Souza Matos, do Batalhão de Jacarepaguá, na zona oeste, e André Leitão de Farias, lotado em São Cristóvão (zona norte), são acusados de extorquir, sequestrar e matar o gerente do tráfico do Morro da Congonha, Rodrigo David da Silva, o Russo, de 17 anos. Os outros presos são Michel Mendes de Souza, o Ratinho, de 20 anos, e Cláudio Ferreira de Souza, de 25, que confessam os crimes de extorsão e sequestro, mas negam terem matado o traficante.
De acordo com a viúva de Russo, Miriam Araújo de Assis, de 28 anos, cerca de 10 homens, dois deles usando tocas, se identificaram como policiais civis e invadiram a casa do casal na madrugada do dia nove. Eles procuraram por armas e drogas e, como não encontraram, levaram Russo como refém. "Uma hora mais tarde eles ligaram exigindo um quilo de cocaína pura, armas e R$ 20 mil", contou Miriam, grávida de nove meses.
Os supostos policiais fizeram contato com ela até as 13 horas do dia 10. O corpo de Russo foi encontrado com um tiro no rosto dois dias depois , em Realengo, na zona oeste. Apesar de Ratinho estar encapuzado no momento do crime, ele foi reconhecido por Miriam. "O nariz dele é torto", justificou. Segundo o delegado, Ratinho trabalhava no tráfico com Russo, mas foi expulso, acusado de roubar uma carregamento de drogas. Preso
Ratinho entregou Cláudio Ferreira de Souza e fez a descrição dos PMs. Se condenado, os quatro acusados podem pegar penas que variam de 24 a 30 anos de prisão.

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