Presos no Paraná por forjar casamentos
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 07 de junho de 2005
Andréa Lombardo<br>Equipe da Folha 
Curitiba- Vinte e uma pessoas foram presas, ontem, na Operação Panorama realizada pela Polícia Federal (PF), sob suspeita de participarem de uma quadrilha que facilitava a permanência de imigrantes ilegais no País a maioria kwaitianos e libaneses , forjando casamentos com brasileiras. Pesam contra eles, também, acusações de clonagem de cartões de crédito, de celulares e de veículos, contrabando e falsificação de passagens aéreas.
Doze das prisões aconteceram em Foz do Iguaçu, quatro em Curitiba, quatro no Litoral paranaense (Paranaguá e Matinhos) e uma em Cuibá (MT). Entre os presos está um agente da PF de Paranaguá que, supostamente, facilitava a tramitação dos documentos para a legalização dos estrangeiros. Ao todo, a 1 Vara Federal Criminal de Foz do Iguaçu expediu 28 mandados de prisão temporária e 26 mandados de busca e apreensão. A operação Panorama em referência ao hotel onde o grupo de hospedava, em Paranaguá, para aguardar a liberação dos documentos envolveu 140 policiais.
De acordo com o delegado-chefe da PF de Foz do Iguaçu, Geraldo da Silva Pereira, os próprios integrantes da quadrilha a maioria estrangeiros teriam conseguido a permanência no País por meio de casamentos simulados com brasileiras. Há, também, indícios de participação do grupo no tráfico de drogas, comércio de armas e falsificação de moeda. Além dos equipamentos usados para a clonagem e material para falsificação de documentos, foram apreendidos cinco armas, pequena quantidade de maconha e cerca de US$ 1 mil em cédulas falsas de US$ 100.
Pereira contou que as investigações começaram há 10 meses a partir da suspeita da existência de imigrantes ilegais em Praia de Leste, no Litoral do Estado. Durante o trabalho, a PF descobriu que as mulheres aliciadas para os falsos casamentos recebiam R$ 1 mil.
O superintendente da PF no Paraná, Jaber Makul Hanna Saadi, disse que duas das prisões foram em flagrante. Uma das pessoas estava com uma mala de produtos contrabandeados e outra portava uma arma. Os nomes dos acusados não foram divulgados, pois o processo corre em segredo de Justiça. Segundo Saadi, eles deverão ser julgados no Brasil e poderão ser extraditados para seus países de origem de acordo com a condenação.
Segundo Saadi, as investigações terão continuidade para levantar a possível existência de ramificações da quadrilha em outros estados. A PF deve apurar, também, qual foi o prejuízo causado às operadoras de telefonia e de cartões de crédito e companhias aéreas.


