Presos mostram como mataram estudantes
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terça-feira, 18 de novembro de 2003
Marcelo Godoy<BR>Agência Estado 
São Paulo - Nenhuma emoção, nenhum arrependimento, apenas o relato frio. ''Os dois contaram cada detalhe do crime como se estivessem conversando na varanda de suas casas'', disse a perita criminal Angela Saporito. Esse foi o comportamento do adolescente R.A.A.C., 16 anos, e de Paulo César da Silva Marques, o Pernambuco, de 32, nas cinco horas e meia em que participaram da reconstituição do sequestro e do assassinato dos namorados Felipe Silva Caffé, de 19, e Liana Friedenbach, de 16, em Embu-Guaçu.
Os policiais e peritos ficaram estarrecidos. Eles concluíram que os criminosos obrigaram Liana a caminhar mais de 20 quilômetros no meio da mata nos quatro dias de cativeiro.
A reconstituição do crime começou por volta das 8h30. O cenário era o Sítio do Lé. Cerca de 20 policiais faziam a segurança do lugar para impedir uma eventual fuga ou que alguém tentasse matar os presos. Pernambuco e o menor permaneceram algemados.
Da Fazenda Boa Esperança, os policiais e peritos foram com os acusados ao local em que o adolescente matou Liana. Ele disse que estava caminhando com a garota pela mata, sem saber o que fazer com ela. Estava na dúvida se a soltava ou não. Aí ''teve um estalo'' e resolveu matá-la. Disse que a primeira facada foi no pescoço. Seguiram-se golpes no peito. Liana disse dois ''ais'' e caiu. Ele contou calmamente como desferiu mais 15 estocadas nas costas da jovem e outra no crânio dela, para ter certeza de que estava morta.
Depois foi a vez de a polícia reconstituir a morte de Felipe, assassinado com um tiro de espingarda calibre 28, disparado por Pernambuco em sua nuca. O bandido falou que foi tudo muito simples e fácil. Disseram ao rapaz que ele seria solto para providenciar o resgate de Liana. Quando caminhavam no meio da mata, Pernambuco, que ia logo atrás do estudante, apontou a espingarda e disparou.


