Presos mais três acusados de envolvimento na máfia dos fiscais
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terça-feira, 02 de março de 1999
Por Marcus Lopes 
São Paulo, 02 (AE) - A polícia prendeu hoje três suspeitos de participar da cobrança de propinas nas administrações regionais. A socióloga Tânia de Paula, assessora do vereador Vicente Viscome (PPB), foi presa em sua casa, na zona leste. Ela trabalha como assistente de gabinete na Câmara. É suspeita de receber propinas na região da Penha e considerada testemunha-chave do caso. Os outros presos são Hélio Furmankiewicz e Akira Yoshikawa. Os dois trabalhavam na Secretaria das Administrações Regionais (SAR).
Furmankiewicz foi acusado por camelôs do Brás de exigir a compra de barracas da empresa W. Sita. O esquema, dizem, seria coordenado pelo ex-secretário da SAR, hoje na pasta das Vias Públicas, Alfredo Mário Savelli.
Presa às 9 horas na Vila Matilde, Tânia não reagiu à prisão. É acusada de extorquir donos de bancas de jornais e comerciantes na Penha. Há 15 dias, a presidente da Associação dos Nordestinos do Estado de São Paulo (Anesp), Francisca Bezerra, a denunciou ao Ministério Público Estadual (MPE). Tânia a teria obrigado a comprar a rifa de um carro por R$ 500,00. A associação teria pago R$ 800,00 por um portal de madeira que deveria conter o "apoio" de Viscome a uma feira de artesanato.
Numa agenda pessoal (de 98) achada na casa de Tânia, um trecho diz: "Hoje o vereador me deu R$ 5 mil. Ficou faltando R$ 20 mil do que ele devia". Em outro, segundo o delegado Naief Saad Neto, ela chama o ex-regional da Penha Osvaldo Morgado de "laranja". Ele apresentou-se hoje à polícia.
Tânia alega que as anotações referem-se a negócios de compra e venda de automóveis que mantinha com o vereador. "Fizemos negócios com R$ 50 mil que sobraram de meu primeiro casamento". Com o salário de R$ 6,5 mil que recebe na Câmara, ela trabalhou por seis meses na regional da Penha, em 98, como coordenadora de eventos, na mesma sala do coronel Ivan Márcio Gitahy, outro envolvido no caso. Ela diz desconhecer qualquer esquema de extorsão.
Em outro trecho da agenda, de 6 de fevereiro, Tânia anotou: "Hoje encerro qualquer vínculo com o vereador e com a AR- Penha. Meu saldo é de R$ 12 mil. Acabou. Brigamos. Foi um horror. O vereador pegou R$ 10 mil". Em 13 de dezembro: "O VV pegou R$ 10 mil". A polícia segue procurando o ambulante Bernardo do Nascimento, o Piauí, que seria o mandante do atentado contra o ambulante Afonso José da Silva, no dia 23. A polícia foi até sua casa ontem, na Vila Carrão, zona leste, onde foram apreendidos um revólver calibre 38 e 20 balas.


