Presos mais de 200 fazendeiros brancos no Zimbábue
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segunda-feira, 19 de agosto de 2002
Agência EFE 
Harare - O Governo de Zimbábue prendeu mais de 200 fazendeiros brancos que se recusaram a abandonar as suas terras, expropriadas pela reforma agrária iniciada há dois anos no país, disseram ontem, em Harare, porta-vozes da polícia.
As forças de segurança, auxiliadas por militantes da governamental União Nacional Africana do Zimbábue (Zanu), começaram na quinta-feira passada a prender os fazendeiros de origem européia, que não atenderam às ordens de abandonar as suas terras.
Todos os fazendeiros que receberam ordens de abandonar as suas propriedades e que continuam violando os regulamentos da Lei de Aquisição de Terras (expropriação) ditada pelo Governo serão presos, disseram fontes policiais.
O descumprimento das ordens de desocupação acarretará em multas e os fazendeiros poderão ser condenados a até dois anos de prisão. Mas 60 por cento dos fazendeiros optaram por permanecer em suas terras, disseram porta-vozes de uma organização que luta contra as expropriações.
Apenas alguns presos foram libertados, 10 deles por problemas de saúde. O restante continua preso à espera de uma apresentação aos tribunais acusados de desacato, segundo fontes da Justiça para a Agricultura (JAG), que denunciou a violência empregada pela polícia em algumas das expulsões.
As expropriações, que começaram na província de Matabelelandia, no sudoeste do Zimbábue, foram estendidas rapidamente a outras áreas agrícolas e criadoras de gado do país e neste momento se reúnem Mashonalandia, no norte, segundo as fontes.
As autoridades de Harare tinham dado prazo até no último dia oito para que cerca de 3.000 fazendeiros brancos do país, cujas propriedades foram selecionadas para a expropriação, abandonassem as suas terras, que serão divididas entre a população negra.
A reforma agrária foi lançada pelo presidente do Zimbábue, Robert Mugabe, em fevereiro de 2000, quando a oposição política, acompanhada pela maioria da população branca, derrotou em um plebiscito uma proposta de reforma constitucional, que permitia ao chefe do Estado continuar indefinidamente no poder.


