Presos rebelados na Penitenciária Industrial de Guarapuava (PIG) liberaram mais um agente feito refém na manhã desta terça-feira (14), quando foram completadas 24 horas do motim.

Luiz Rodrigues Galvão, de 55 anos, deixou o local direto para o hospital para tratar da diabetes. O irmão dele, Rubens Galvão, afirmou que o agente estava apreensivo com o clima tenso já há duas semanas, quando houve outra tentativa de rebelião.

Dez agentes penitenciários seguem reféns dos presos, que tomaram o telhado da penitenciária. Ainda pela manhã, eles entregaram a primeira pauta de reivindicações, que inclui o pedido de transferências de presos de cidades como Foz do Iguaçu e Curitiba para ficarem mais próximos das famílias.

As negociações prosseguem e não houve corte de água e luz na PIG. A alimentação dos detentos também está mantida.

Por volta das 10h30, os presos pediram para que os familiares pudessem ficar na sombra, mais próximos da entrada da penitenciária. A PM rejeitou a solicitação e o clima ficou tenso, já que alguns familiares tentaram invadir o espaço. Pouco depois, os Bombeiros acomodaram os familiares em uma barraca para acalmar os presos.

Presos do seguro - condenados por estupro ou outros crimes contra crianças e mulheres - também estão sendo mantidos sob domínio dos companheiros. Durante o dia, alguns foram jogados do telhado do presídio e se machucaram. Um agente penitenciário teve parte do corpo queimado pelos rebelados. Ele foi encaminhado ao hospital para receber atendimento e recebeu alta ainda ontem.

Erro em transferência

O diretor presidente do Sindicato Dos Agentes Penitenciários do Paraná (Sindarspen), Antony Johnson, apontou um erro na transferência de presos para a PIG. Segundo ele, detentos que estavam em unidades onde foram registradas outras rebeliões - como a ala II da Penitenciária Estadual de Piraquara (PEP II) - foram mandados para Guarapuava.

"A PIG até então era uma unidade modelo. Entendemos que houve um erro nas movimentações do presos. Detentos da PEP II que participaram da última rebelião no Estado foram misturados no local", destacou.

Johnson informou que a PIG abriga atualmente 240 detentos e possui capacidade para o mesmo número. Os presos podem trabalhar e estudar no local. A segurança no interior do presídio é feita em média por 18 agentes por plantão.

O representante do sindicato reforçou o pedido da classe ao governador Beto Richa (PSDB) por mais segurança nos presídios. Antony Johnson lembrou que esta é a 21ª rebelião em dez meses no Paraná. 43 agentes penitenciários foram mantidos como reféns em todos os motins.

A reportagem não conseguiu contato com a Secretaria da Justiça, Cidadania e Direitos Humanos (Seju).

(atualizado às 12h40, com informações do repórter Celso Felizardo, da Folha de Londrina)

mockup