Presos fora da terra natal
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segunda-feira, 09 de janeiro de 2012
Marian Trigueiros <br> <br> Reportagem Local 
''Meu filho não merece morrer, ainda mais dessa forma. Tenho esperanças de que ele receberá o perdão; é nisso que me apego para continuar meus dias. Nem penso que o contrário possa acontecer. Os últimos anos têm sido muito difíceis para toda família'', desabafa Clarice Muxfeldt Gularte, mãe do curitibano Rodrigo Gularte, preso há quase 8 anos na Indonésia. O perdão ao qual ela se refere é um possível indulto do presidente do país asiático, que já recebeu pedidos de clemência do Governo brasileiro.
Rodrigo foi condenado à morte - com a possibilidade de ser fuzilado - pelo crime de tráfico internacional de drogas. Ele foi preso no aeroporto de Jacarta (capital da Indonésia), em 2005, quando tentava entrar no país com 6 quilos de cocaína escondidos numa prancha de surfe. 31 de maio de 2012 é o último dia para o presidente indonésio se manifestar, mesmo dia do aniversário de Rodrigo, quando completa 40 anos de idade. Caso não haja anúncio até este prazo, poderá ser executado a qualquer momento.
Confiante de que o filho vai receber o indulto, Clarice mantêm vivas as lembranças das visitas que fez nos últimos anos enquanto aguarda pelo próximo encontro. ''Esperava receber uma ligação dele no Natal, mas nem isso'', diz ela, que planeja ir novamente ao país em abril. Uma longa viagem até a ilha-prisão de Nusakanbangam, de segurança máxima. ''Depois de 3 dias até Jacarta, mais um dia entre 10 horas de trem, quilômetros de charrete, lancha e ônibus'', detalha.
Da última vez em que estiveram juntos, a mãe levou roupas, livros e queijo. A declaração em tom emocionado é seguida de silêncio. Com a voz trêmula, Clarice conta que o Rodrigo era o caçula e seu companheiro. ''Ele adorava quando eu cozinhava. Não vejo a hora de poder fazer isso de novo.''
Depois do perdão recente a outro brasileiro - também preso por relação com drogas - a mãe conta que o próprio filho agora está mais esperançoso. ''Ele está muito arrependido, tenho certeza disso. Errou, mas não é nenhum traficante, meu Deus. Não sei exatamente o que aconteceu, acho que ele foi envolvido, acreditando que era apenas uma aventura'', conta a mãe, que luta por intervenções do governo brasileiro. Além de Rodrigo, outro brasileiro também aguarda o perdão do governo indonésio para não ser executado.
Em nota, Aloysio Gomide Filho, chefe da Divisão de Assistência Consular, diz que o Ministério das Relações Exteriores (MRE) tem prestado toda a assistência desde a prisão. ''O setor consular da Embaixada do Brasil em Jacarta tem feito visitas regulares ao Sr. Gularte para verificar seu estado de saúde e prestar-lhe toda a assistência necessária, inclusive dando apoio aos familiares que realizaram visitas àquele país'', informa. Ele afirma ainda que o MRE tem mantido contatos com os familiares no Brasil e respondido às solicitações de informações sobre o caso, que está sendo acompanhado por um advogado local. Porém, o MRE não dá esclarecimento sobre o pedido de clemência.


