Presos fazem seis agentes reféns em Bangu
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domingo, 30 de dezembro de 2001
Agência Folha 
Rio de Janeiro- Seis agentes penitenciários estavam sendo mantidos reféns no início da tarde de ontem por presos rebelados na Casa de Custódia Muniz Sodré (Bangu, zona oeste do Rio). A rebelião começou às 20h30 de anteontem. Armados com pistolas, os presos fizeram sete agentes reféns. Eles retiraram as roupas dos agentes, deixando-os só de cueca.
Um dos reféns, cujo nome não foi revelado, foi libertado de manhã porque passava mal. Ele tinha ferimentos no pescoço, causados por uma corda. De madrugada, foram ouvidos tiros, que teriam sido disparados pelos presos.
O Sindicato dos Servidores da Secretaria de Justiça informou que os presos tentaram uma fuga em massa. Ao ser impedidos pelos agentes, iniciaram a rebelião.
Presos ouvidos pela Folha de S.Paulo por celular disseram, no entanto, que o motim resultou de brigas entre integrantes das facções rivais Comando Vermelho e Terceiro Comando.
Até as 12 horas, o secretário estadual de Direitos Humanos e do Sistema Penitenciário, João Luiz Pinaud, permanecia na casa de custódia negociando com os rebelados.
De início, cerca de 600 presos mantinham sete agentes como reféns, amarrados e vestidos apenas de sunga, já que seus uniformes foram tomados pelos presos rebelados.
Os amotinados querem a transferência para outra unidade dos presos ligados ao Terceiro Comando. A Casa de Custódia abriga cerca de 1.500 internos, em sua maioria ligados ao Comando Vermelho.
Os detentos incendiaram colchões e outros objetos inflamáveis. Armados de facas e estiletes improvisados, tomaram dois pavilhões daquela penitenciária. Eles garantem que os reféns não estão sendo molestados e que a situação está tranquila. Mas por volta de 2 horas da madrugada foram ouvidos estampidos no interior do presídio. Ainda não se sabe que há presos portando armas de fogo ou se os disparos foram efetuados por funcionários ou policiais. Até o momento não se comenta a existência de vítimas dos tiros disparados.
A Casa de Custódia está cercada por soldados dos Batalhões de Choque e de Operações Especiais, do Getam e do Corpo de Bombeiros. Autoridades estão tentando negociar o fim da rebelião e liberação dos reféns, entre elas o Coronel Reginaldo Alves de Pinho, diretor do Departamento do Sistema Penitenciário - Desipe - carioca.
O diretor da Casa de Custódia, coronel Reginaldo Alves de Pinho, disse que a situação é de aparente calma.


