Presos fazem reféns durante rebelião em Maringá
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sábado, 24 de dezembro de 2005
Chiara Papali<br> Reportagem Local 
Durante pouco mais de três horas, um padre e outros três membros da igreja católica foram feitos reféns durante uma rebelião, ontem, na sede da 9 Subdivisão Policial (9 SDP), em Maringá. Os presos que estavam no pátio de sol atearam fogo em colchões e fizeram várias reivindicações, entre elas a transferência para os Estados de origem. Segundo informações da Polícia Civil ninguém ficou ferido.
A rebelião começou por volta das 10h30, depois que um preso pulou o muro do pátio de sol. O detento Luís Carlos Palhano, de 29 anos, preso por roubo e formação de quadrilha, e condenado a oito anos e sete meses de prisão, foi detido ainda nos limites da delegacia por um policial militar que fazia a guarda externa. Nesse momento começou o tumulto. Detentos que estavam no pátio de sol atearam fogo em colchões e impediram a saída de alguns religiosos que estavam no local.
Os padres João Caruana e Bruno Elizeu Versari rezavam uma missa de Natal, acompanhados de outras quatro pessoas, entre maristas, músicos e um ministro de eucaristia. Segundo o padre Bruno, no momento em que aconteceu a tentativa de fuga eles foram avisados para abreviar a missa, porque o clima ''estava tenso''. O padre João Caruana e Ademar (sobrenome não informado) conseguiram sair, mas o restante não. Ao todo, quatro pessoas foram feitas reféns - o padre Bruno Versari, o marista Adolfo Marquezoni, Isaura Gomes e Hugo (sobrenome não informado).
Segundo padre Bruno, os reféns não foram ameaçados ''em momento algum''. ''Eles falaram que não iria acontecer nada com a gente, que eles só estavam querendo chamar atenção para as reivindicações deles. Mas a gente fica tenso porque não sabe o que pode acontecer'', afirmou. Ontem à tarde, padre Bruno, atendendo aos pedidos de alguns presos, estava ligando para familiares dos detentos para avisar que eles estavam bem e que poderiam receber visitas.
A rebelião teve fim por volta das 14 horas, quando uma comissão com cinco detentos entrou em acordo com representantes do Ministério Público, da igreja católica e delegados. Segundo o delegado-chefe da 9 SDP, Marcolino Aparecido da Costa, os detentos reivindicavam a transferência de presos de outros Estados e revisão processual de alguns que já teriam cumprido pena ou que teriam direito a prisão semi-aberta - processos que serão avaliados pela Justiça. Foi acordado também um tempo maior de visitas e a abertura de algumas alas da carceragem durante o verão
Para o delegado-chefe, o que aconteceu ''não foi rebelião, mas um tumulto generalizado''. Na 9 SDP, que tem capacidade para 155 pessoas, estão presos 400. Ontem à tarde, os presos só retornaram às celas depois que foi restabelecida a rede de energia elétrica, queimada durante a rebelião.


