Presos fazem reféns; agentes mantêm greve
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terça-feira, 24 de julho de 2001
Agência FolhaDe Belo Horizonte, MG 
Os 318 presos da Penitenciária Dênio Moreira de Carvalho, em Ipaba (218 km de Belo Horizonte), mantinham até as 18h30 de ontem 14 agentes penitenciários como reféns, em uma rebelião que já durava cerca de 20 horas.
Durante a tarde, os amotinados acenaram com o fim da rebelião e chegaram a libertar dois outros agentes, após a Secretaria de Justiça e Direitos Humanos de Minas Gerais prometer a transferência de 16 presos para outras penitenciárias do Estado.
Mas, em seguida, os líderes do motim não apresentaram os nomes dos presos beneficiados e retomaram as negociações. Para a comissão negociadora, formada por funcionários da secretaria, os presos estariam fazendo corpo mole para tentar aumentar a lista de transferidos.
Até o início da noite de ontem, não havia informações sobre presos ou reféns feridos. A secretaria também não sabia se os rebelados estavam armados. Os presos haviam queimado colchões, arrancado telhas e quebrado as fechaduras das celas.
A comissão negociadora afirmou que o acordo oferecido aos presos -que incluía, além das transferências, direito à revisão das penas- ainda estava de pé. A tropa de choque da Polícia Militar continuaria de prontidão enquanto prosseguissem as negociações.
O motim começou por volta das 21 horas de anteontem, após a direção do presídio descobrir, no pavilhão D, um túnel em construção que seria utilizado para fugas. A penitenciária possui quatro pavilhões e, segundo a secretaria, não estava superlotada -tem capacidade para 348 presos.
Greve Os 1.370 agentes penitenciários do estado do Rio de Janeiro iniciaram ontem uma greve por tempo indeterminado, reivindicando um reajuste salarial, o que fez aumentar o risco de fugas e rebeliões e pôs em alerta a Polícia Militar.
O sindicato dos agentes carcerários informou que a decisão de interromper o trabalho foi motivada pelo atraso no pagamento do aumento salarial de 19% negociado em maio.
Nas últimas semanas, foram deflagradas greve dos policiais militares e civis em vários Estados, como Paraná, Tocantins, Alagoas, Bahia e Pernambuco. Esses protestos, que geraram violência e pânico em diversas cidades, obrigaram o presidente Fernando Henrique Cardoso a marcar uma reunião com nove governadores para amanhã, com o objetivo discutir as condições de trabalho dos oficiais. (Com France Presse)
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