Presos fazem refém na Delegacia de Sarandi
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sexta-feira, 17 de novembro de 2006
Fernanda Borges<br>Reportagem Local 
Presos da Delegacia Regional de Sarandi (7 km a leste de Maringá) destruíram celas, arrancaram três portas de ferro e mantiveram um homem como refém durante uma rebelião que se estendeu por quase cinco horas na manhã de ontem. Segundo informações da polícia, uma dos principais fatores que teriam levado os presos a se rebelar seria por conta da superlotação da unidade, que tem capacidade para 37 presos e até ontem, contava com 166 detentos.
O tumulto teria começado por volta das 9h30 quando o carcereiro Mário Sérgio Machado Júnior, 25 anos, levava compras, entregues pelos familiares dos presos, para dentro da cela e foi tomado como refém. A partir daquele momento, os presos, que ameaçavam Júnior com pedaços de ferro, pediram a presença de autoridades para negociações.
Além de se queixarem da superlotação e reivindicar a tranferência de presos para outras unidades, os detentos também exigiram adequações para o horário de visitas e aparelhos de TV nas celas.
O promotor de Justiça Alexandre Mizael Souza, a juíza da Vara de Execuções Penais (VEP) de Sarandi e o delegado Maurício de Lima foram responsáveis pelas negociações. Policiais de Maringá com cães de guarda acomparam o tumulto.
Familiares dos presos permaneceram o tempo todo na frente da delegacia preocupados com o que estava acontecendo. A maioria, mulheres de detentos, que reclamavam das restrições às visitas.
Segundo o delegado de Sarandi, ninguém ficou ferido e os presos resolveram liberar o carcereiro depois que as autoridades aceitaram transferir alguns presos para a Penitenciária Estadual de Maringá (PEM). ''As negociações foram conduzidas de maneira tranquila. Vinte presos serão transferidos ainda hoje (ontem) para a PEM e aqueles que possuem direito a ser revisto, será feito. Quanto às demais reivindicações, ainda vamos avaliar'', disse Lima.
Sobre a superlotação, o delegado disse acreditar que a situação da delegacia deve melhorar a partir do início do ano que vem quando um cadeia provisória construída em Paiçandu (10 km a leste de Maringá) estiver pronta. ''A cadeia comportará cerca de mil presos''.
Essa foi a segunda rebelião na Delegacia de Sarandi este ano. No começo do ano os presos se rebelaram durante cerca de duas horas por causa da superlotação. Não houve feridos.
Ainda no final da tarde de ontem, vinte presos, escolhidos de acordo com o grau de comportamento e delito cometido, seriam transferidos para a PEM.


