Presos fazem motim em em centro de detenção
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segunda-feira, 24 de julho de 2017
Paulo Gomes<br>Folhapress 

São Paulo - Uma rebelião de internos em uma das unidades do CDP (Centro de Detenção Provisória) de Pinheiros 1, na zona oeste da capital paulista, causou um incêndio de grandes proporções na manhã desta segunda-feira (24). Segundo a SAP (Secretaria da Administração Penitenciária), os motivos do motim serão apurados. Os detentos alimentaram as chamas com colchões, roupas e outros materiais. Foi aberto também um buraco pelos presos, entre os pavilhões 1 e 4. Depois de acionados, os bombeiros extinguiram o fogo.
A pasta informou, em nota, que o seu Grupo de Intervenção Rápida entrou na unidade para conter a rebelião. A SAP declarou que alguns presos tiveram ferimentos leves e foram atendidos por médico na enfermaria da própria unidade - apesar de a reportagem ter presenciado a saída de três ambulâncias do local, uma delas com escolta. Ainda conforme a secretaria, não houve reféns.
Amontoados no portão do CDP, familiares de internos pediram pela presença do diretor da unidade para assegurar a integridade dos internos e fizeram ameaças de denúncias por maus-tratos. Chorando, uma senhora gritava "quero ver o meu filho". "Faz sete meses que eu não vejo o meu filho, eles não me deixam fazer a carteirinha", dizia Eugênia de Oliveira, 52, mãe de um homem que cumpre pena por tráfico de drogas - forjado, segundo a mãe. "Estava vindo pra cá pra fazer [o documento que permite a entrada para visitação] quando vi o fogo", afirmou.
"Se eles fizeram isso [a rebelião], é porque tem motivo. Se a gente é maltratado, imagina quem está lá dentro", disse Eugênia. Ela contou que, além de ser impedida de visitar o filho, não pôde enviar nada para ele. Na semana passada, em que a cidade teve os dias mais frios do ano, Eugênia teve barrada a tentativa de dar um cobertor para o filho. "Falaram que vagabundo não merece coberta, que tem que passar frio mesmo."


