Entre os detentos, que protestam contra demora no andamento dos processos judiciais, estão 71 brasileiros
Ney de SouzaBRASILEIRORodimar Casaril, 19 anos, já teria direito à liberdade condicional
Emerson Dias
De Foz do Iguaçu
Especial para Folha
Os detentos da Penitenciária Regional de Ciudad del Este (Paraguai) fizeram greve de fome durante 24 horas, como forma de protesto contra a demora no andamento dos processos na Justiça. Entre eles estavam 71 brasileiros, seis deles menores, que cometeram crimes em território paraguaio (ver texto abaixo).
Preso desde 1997, Ismael Cañete Duarte, 34 anos, chegou a costurar a boca com arame para protestar contra o descaso das autoridades paraguaias. Mesmo depois dos companheiros de cela terem desistido da greve, que acabou ao meio-dia de ontem, Duarte gesticulou confirmando que iria permanecer com os ‘‘lábios cerrados’’, até que um juiz determinasse a condenação. Ele é acusado de homicídio mas ainda não foi julgado.
O presídio tem capacidade para 300 presos, mas conta atualmente com 507 internos. Segundo o diretor da penitenciária, Eustacio Rodriguez, somente 36 já foram condenados. ‘‘Os outros processos ainda não foram encaminhados ou ainda estão passando por avaliação. Temos apenas dois juízes para fazer isso’’, disse Rodriguez, confirmando que existem cerca de 8 mil processos em andamento no Departamento (equivalente a Estado) de Alto del Paraná.
A greve terminou depois que representantes do Judiciário e defensores públicos paraguaios se reuniram com seis presos escolhidos pelos manifestantes. As autoridades prometeram agilizar os processos e tentar transferir outros dois juízes para a jurisdição.
‘‘É importante lembrar que o novo código de processos penais paraguaio entrou em vigor este mês. Ele deve ajudar a resolver o nosso problema de superlotação’’, comentou Rodriguez. Os departamentos de Alto del Paraná e de Canindeyú possuem cerca de 700 mil habitantes e o Presídio Regional de Ciudad del Este é a única instituição carcerária em funcionamento.

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