Presos fazem 500 visitantes reféns
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domingo, 18 de maio de 1997
Das agências 
SÃO BERNARDO DO CAMPO - Presos rebelados na Casa de Detenção de São Vicente (SP) mantinham, até as 20 horas de ontem, cinco carcereiros como reféns. Cerca de 500 parentes dos detentos, que foram visitá-los ontem à tarde, também permaneciam retidos no pátio interno do complexo, impedidos de sair pelos amotinados. Segundo informações da diretoria, todos os reféns e visitantes estavam bem de saúde.
A rebelião começou às 14h45, quando o horário de visita se encerrava. Aproveitando-se da grande quantidade de visitantes no local, um grupo de presos rendeu seis carcereiros e fechou os portões de saída. Os rebelados utilizavam facas e estiletes e passaram a exigir a presença de representantes da direção da Casa de Detenção para negociar. Todos os 720 presos, dos dois pavilhões do complexo, concentraram-se no pátio interno, permanecendo junto aos visitantes e reféns. A Casa de Detenção tem capacidade para 550 presos.
Policiais do 39º Batalhão da PM, de São Vicente (67 quilômetros a sudeste de São Paulo), cercaram o local, que fica no bairro Samaritá, próximo ao quilômetro 66 da rodovia Padre Manoel da Nóbrega. A PM não informou quantos policiais foram deslocados para a operação.
Às 16h50, um dos carcereiros foi libertado. Ele foi autorizado pelos presos a acompanhar até a saída uma visitante que começou a passar mal. Os diretores da Casa de Detenção, Maurício Guarnieri e Edson da Silva, chegaram ao local por volta das 17h30 e começaram o trabalho de negociação, que continuava até o final da tarde.
Antes da chegada dos diretores, os rebelados não haviam apresentado nenhuma lista de reivindicações. A PM afirmou que iria esperar pelo desfecho das negociações para decidir a forma de atuação. A princípio, uma invasão do local foi totalmente descartada, principalmente por causa do número de visitantes retidos.
Parte dos presos da cadeia de Taubaté (134 quilômetros a nordeste de São Paulo) começa a ser transferida hoje para outras cadeias públicas do Vale do Paraíba, após uma rebelião que durou seis horas anteontem. A Polícia Civil não informou o número de presos transferidos.
A transferência faz parte de um acordo feito entre os amotinados e o juiz-corregedor dos presídios de Taubaté, Eduardo Sandeville, para acabar com a rebelião. A cadeia tem 312 presos e capacidade para abrigar apenas 80.
Fuga - A polícia desarticulou ontem um plano de fuga em massa de presos e um carregamento de drogas e armas no pavilhão 8 da Casa de Detenção de São Paulo. Participavam do plano, segundo a polícia, um funcionário do presídio e a irmã de um detento. Ambos foram presos.


