Presos em delegacias encheriam um presídio na RML
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quarta-feira, 05 de setembro de 2012
Danilo Marconi <br> Reportagem Local 
Londrina - A exemplo de Londrina, a falta de vagas no sistema prisional acarreta a superlotação dos distritos policiais também nos outros municípios da região metropolitana. Nas 227 vagas das nove delegacias que abrigam presos, estão amontoados 277 detentos.
Incluindo os três distritos que abrigam presos provisórios em Londrina, o número na região chega a 511 presos em delegacias. A quantidade seria quase suficiente para lotar a Penitenciária Estadual de Londrina (PEL) III, cuja construção, de acordo com a Secretaria Estadual de Justiça (Seju), deve começar no próximo ano.
Em Londrina, por exemplo, presos do 5º DP estariam dormindo em pé por falta de espaço, conforme denúncia da Pastoral Carcerária. ''É caótico, subumano'', definiu o padre Edivan Pedro.
''Isso é fruto de uma política criminal centrada na ideia de que o encarceramento é a maneira central de punição e é um gravíssimo erro do ponto de vista legal e jurídico'', alertou o sociólogo e coordenador do Grupo de Estudos de Violência da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Pedro Bodê.
Na Delegacia de Rolândia, projetada para abrigar 50 pessoas, estão 116 presos (incluindo sete mulheres e um adolescente). Do total, 48 homens já foram condenados pela Justiça e deveriam estar cumprindo pena em penitenciárias.
Dante Luiz Fernandes, de 22 anos, está detido na delegacia desde 2010. Ele foi condenado a sete anos e quatro meses de reclusão por porte ilegal de arma e corrupção de menor. ''Eu já estou em semiliberdade, mas como não tem esse sistema na cidade eu continuou aqui na cela. Meu advogado entrou com pedido de transferência para a Colônia (Penal Agrícola de Piraquara) ou Londrina'', disse.
Ele é mantido em um contêiner, com pouco mais de 12 metros quadrados, com mais 13 detentos e a superlotação traz insegurança para quem trabalha no local. A última fuga ocorreu em julho. Mês passado uma tentativa de fuga foi frustrada pelos vigilantes. O desvio de função também é evidente: metade dos investigadores trabalha na custódia dos detentos.
Eles flagraram atitudes ousadas neste ano. No primeiro semestre foram presos seis jovens no pátio da delegacia tentando repassar drogas, brocas e celulares aos detentos. ''Eles pulam os muros. Flagramos também os presos jogando cordas para a rua onde outras pessoas amarram drogas ou celulares para os detentos usarem dentro da cadeia'', comentou o investigador José Marcio Rocha.
Em Cambé a situação também é crítica. O espaço construído para abrigar 52 presos está com 110 pessoas, sendo seis mulheres. ''Cerca de 40% são condenados. Se as penitenciárias recebessem pelo menos os condenados já seria um alívio'', afirmou o delegado Jorge Barbosa.
A explicação pode estar no baixo custo para manutenção de um preso no sistema carcerário. Segundo a assessoria de imprensa da Secretaria de Segurança Pública (Sesp), um preso provisório chega a custar R$ 6 por dia nas carceragens das delegacias. Nos presídios, de acordo com informações repassadas pela Seju, o valor gasto diariamente com um preso é 11 vezes maior, de R$ 66.
''Esse é o erro do Estado, que deixa custos sociais e políticos muito altos por não trabalhar a ressocialização do indivíduo'', afirmou Pedro Bodê.


