Londrina - Vinte presos provisórios que estavam no 4° e no 5° Distritos Policiais foram transferidos ontem para a Casa de Custódia de Londrina (CCL). A saída dos internos das carceragens superlotadas, no entanto, não muda o clima de tensão nas cadeias. Construídas para 24 presos, ambas estão com mais de cem homens cada.
De acordo com o delegado chefe da 10ª Subdivisão Policial, Márcio Amaro, a decisão de transferir os 20 presos ocorreu após uma reunião entre ele, o juiz da Vara de Execuções Penais (VEP), Katsujo Nakadomari, e dirigentes das penitenciárias do município.
Foram encaminhados à CCL os presos mais antigos. Mesmo com a transferência, atualmente o 4° DP mantém 118 presos e o 5° DP, 117. Todos os internos estão aguardando julgamento.
A superlotação se repete em outros municípios da Região Metropolitana de Londrina. "Nas cidades vizinhas a situação não é diferente. Todas elas, Cambé, Rolândia, Arapongas, estão superlotadas", comentou Amaro.
Por causa dessa realidade, o delegado chefe não descarta que tumultos dentro dos distritos possam ser registrados com mais intensidade nos próximos meses. "A tensão aumenta no final de ano. O calor e a quantidade de pessoas deixa o preso muito agitado. Além da aproximação do período de festas, que, psicologicamente, cria um ânimo maior para a fuga", admitiu Amaro. "Consequentemente, o preso não consegue fugir e começa a quebrar a cadeia. Ele também sabe que essa é uma das maneiras de forçar sua transferência para um presídio."
Segundo Amaro, somente a construção de uma nova penitenciária diminuiria essa preocupação. "Precisamos de uma solução. Há a necessidade de uma penitenciária urgentemente. Existe o procedimento em andamento para a construção de uma, que seria ao lado da PEL 2 (Penitenciária Estadual de Londrina), na zona sul), com capacidade para 600 pessoas", explicou Amaro, sem poder dar uma previsão para o início das obras.
O problema é que, além dos distritos, os presídios da cidade também estão atendendo no limite. "A CCL, que seria a responsável por receber presos provisoriamente, tem a capacidade de 280 e está com 370 presos. A PEL 2 está totalmente lotada. Além disso, na PEL 2, um espaço que poderia oferecer mais 90 vagas foi interditado após ser danificado pela chuva. Na PEL 1, sabemos que a situação também está no limite."
A reportagem não conseguiu contato com as secretarias estaduais de Segurança Pública e de Justiça no início da noite de ontem.

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