Agência Estado
Os 131 presos do 35º Distrito Policial, no Jabaquara, zona sul de São Paulo, se rebelaram ontem pela manhã, dominaram dois carcereiros e ameaçaram uma fuga em massa. Eles depredaram a carceragem. Depois das negociações com o delegado Enjolras Araújo, titular do distrito, a rebelião foi encerrada, às 15h30, com a liberação dos reféns e a autorização para a transferência de 18 presos, 15 deles condenados, que chefiaram a rebelião. Todos foram para o Cadeião 2, de Pinheiros. Ninguém ficou ferido.
A rebelião começou por volta das 8h30, quando um dos detentos que trabalhava na limpeza do pátio e estava fora da cela, Laerte Pereira, armado com um revólver calibre 38 tentou fugir. Mas foi dominado e desarmado pelos policiais na saída do distrito. Com a fuga frustrada de Pereira, os presos passaram a ameaçar os carcereiros e chegaram a amarrar um deles na coluna do pátio.
Os detentos passaram a fazer exigências. Reclamaram do tempero servido com macarrão duas vezes por semana, no jantar, do pouco tempo das visitas, da falta de espaço no pátio e exigiram que as emissoras de televisão transmitissem suas reivindicações. Depois disseram que libertariam os carcereiros somente com a presença de um juiz corregedor do Departamento de Inquéritos Policiais. Depois de muita negociação chegaram a um acordo com o delegado.
Um inquérito foi instaurado para apurar como o preso obteve o revólver carregado e identificar os responsáveis pelas depredações. Um dos carcereiros tomados como refém, Luís Silva, informou que em determinado momento chegou a temer por sua vida. ‘‘Um dos presos queria fugir e dizia que se não saísse da cadeia iria me matar.’’
BauruO preso David Rodrigues, de 26 anos, foi morto anteontem, com 28 golpes de estilete e teve as orelhas cortadas, na Penitenciária 2, em Bauru, a 335 quilômetros de São Paulo. O crime coincidiu com o início da apuração da fuga de 37 detentos na noite de segunda-feira. A corregedoria do sistema penitenciário começou a ouvir funcionários e detentos.
Há informações de que as orelhas teriam sido enviadas aos diretores, mas eles negam, dizendo tratar-se de crime comum na prisão. O diretor do Instituto Penal Agrícola, Edilson Araújo Valim, integrante da junta que está administrando o presídio, disse que o clima é de tranquilidade. A polícia local continua a busca aos fugitivos. Dos 37 que fugiram na segunda-feira, um morreu e 19 estão foragidos.

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