São Paulo, 22 (AE) - A polícia prendeu hoje dois dos cinco suspeitos de participação no assassinato do camelô Gilberto Monteiro da Silva. O desempregado Francisco Dianeido Alves Moura, conhecido como Raimundo, de 22 anos, e o ambulante Marcílio Pires de Souza, o Curió, confessaram o crime. Silva foi morto no dia 16, na frente da Associação de Distribuidores de Coco Verde de São Paulo, da qual era presidente.
"O motivo é a disputa de poder entre Silva e outros associados", disse o delegado Antônio Sucupira Neto, do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).Silva ficou conhecido por testemunhar no processo de cassação do deputado estadual Hanna Garib (PPB), quando o acusou de obrigar os camelôs a pagarem propina para trabalhar no Viaduto Santa Ifigênia, em São Paulo.
Moura e Souza disseram à polícia que o mandante do crime é José Carlos Paulino dos Santos, o Carlinhos, um dos 34 integrantes da associação. Ele está foragido.De acordo com a polícia, Santos ofereceu R$ 3 mil a Genilson Santos Oliveira, o Alemão da Melancia, para que ele matasse Gilberto Monteiro da Silva. O mandante contratou os dois presos e Pedro Severiano Alencar, o Pife. Cada um dos três recebeu R$ 500,00, segundo o delegado. "Em princípio, o caso não tem ligação com a Máfia dos Fiscais", disse Sucupira Neto.
Silva ficou afastado da entidade por nove meses. Nesse período, Santos montou um esquema em que os sócios não tinham limites para estacionar no pátio, que comporta 29 caminhões, no Largo do Pari. Para cada veículo, o associado paga R$ 50,00, que são revertidos à sede. "Acreditamos que alguns eram favorecidos com esse descontrole", disse o delegado. Já Silva, segundo a polícia apurou, queria limitar o número de carros por sócio para organizar a associação. A entidade foi criada, em outubro de 1997, para separar o estoque de cocos dos pontos-de-venda do Parque Dom Pedro.

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