Presos dois que aplicavam golpes em lojas
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quarta-feira, 26 de maio de 1999
Por Marcelo Godoy 
São Paulo, 27 (AE) - A polícia prendeu dois acusados de integrar uma quadrilha que usava "laranjas" para abrir contas bancárias, retirar talões de cheques e aplicar golpes em lojas dos bairros Itaim-Bibi, Pinheiros, Jardins e Moema.
Quando os nomes usados ilegalmente ficavam visados, eles contratavam outras pessoas e davam continuidade aos crimes.
De acordo com o 15º Distrito Policial, no Itaim-Bibi, nas últimas semanas, o bando usou o nome de 11 pessoas para abrir contas bancárias e retirar cheques. Para tanto, falsificava documentos que comprovavam a renda dos "laranjas", informou o delegado Orlando Basílio Ivanov.
Os outros documentos exigidos para a abertura de contas, como CIC e RG, eram verdadeiros. A quadrilha, segundo o 15º DP, lucrava cerca de R$ 15 mil com cada talão de cheque, usado para fazer compras.
A ação do grupo foi descoberta após a prisão em flagrante, ontem, de Marcelo Balan e Maria do Socorro Siqueira. Balan é apontado pelos investigadores como um dos chefes da quadrilha; Maria do Socorro, como "laranja".
Ela tentou pagar com um cheque de uma conta aberta este mês as compras feitas numa loja de materiais para escritórios, no Itaim-Bibi. O caixa desconfiou dela, em razão do alto valor da compra e do fato de a conta ser recente. Chamou os seguranças da loja e ela foi detida. Segundo a polícia, Maria do Socorro abriu a conta no próprio nome e seria paga por fazer as compras. Com isso, evitaria que os verdadeiros chefes do grupo fossem descobertos.
Após prender Maria do Socorro, a polícia deteve Balan. De acordo com o 15º DP, ele usava documentos falsos, em nome de Marcelo Silva.
Também suspeita de ser uma das contratadas pelo grupo para aplicar golpes, Valentina de Oliveira estava sendo ouvida pela polícia hoje à tarde. Os policiais informaram que ela carregava três telefones celulares, que faziam parte de uma das compras feitas pela quadrilha.
Os investigadores não quiseram revelar o nome dos outros suspeitos de integrar o bando. A polícia está pedindo aos bancos nos quais os golpistas abriram contas a lista dos cheques sem fundo que passaram. Por meio deles, os policiais esperam encontrar novas vítimas da quadrilha.


