Rio, 08 (AE) - O secretário estadual de Justiça, Sérgio Zveiter, disse hoje que todos os presos custodiados em hospitais públicos deverão ser transferidos para o Hospital Penitenciário Fábio Soares Maciel, no Complexo da Frei Caneca, Centro do Rio. Somente os que estiverem em Centro de Tratamento Intensivo (CTI) ou em Unidade Intermediária (UI) é que poderão ficar internados em hospitais da rede estadual e municipal.
"Assim que eles receberem alta dessas unidades e forem para a enfermaria, a transferência para o Fabio Maciel será obrigatória", afirmou. "O diretor de unidade que não obedecer a essa determinação será responsável pelo o que vier a acontecer." A decisão foi tomada três dias depois que 10 homens fortemente armados tentaram resgatar o assaltante de banco Eduardo Costa, de 35 anos, que estava na enfermaria do Hospital Souza Aguiar, no Centro. Os bandidos acabaram trocando tiros com o PM de plantão na porta do hospital e fugiram sem levar o comparsa.
A determinação da secretaria de Justiça oficializa, na prática, um acordo verbal fechado entre o Estado e a prefeitura do Rio em 1995, quando foram extintas as salas de custódias com celas que haviam nos hospitais públicos. Segundo o Zveiter, a decisão coloca também um ponto final na polêmica entre os governos estadual e municipal, criada depois que o secretário estadual de Segurança, coronel Josias Quintal, anunciou que os hospitais públicos voltariam a ter sala de custódia.
A declaração causou indignação no secretário municipal de Saúde, Ronaldo Gazolla, que pediu, ao invés do retorno das celas
o reforço policial na unidades hospitalares. Pela proposta de Zveiter, já aprovada por Gazolla, o atendimento de emergência continuará sendo feito pelos hospitais públicos. Tão logo o preso for encaminhado à enfermaria, o hospital pedirá à delegacia da área uma guia de recolhimento do detento e o responsável da unidade hospitalar entrará em contato com a superintendência de saúde da Secretaria Estadual de Justiça, que autorizará a remoção do paciente para o Fábio Maciel.
No hospital penitenciário existem 70 leitos - todos ocupados. O estado tem mais seis unidades hospitalares para presos, com um total de 735 leitos. "Vamos realocar para outros hospitais da rede alguns pacientes que estão no Fábio Maciel, para atender os presos que estão na rede comum de saúde", afirmou. Hoje, há nove detentos custodiados em hospitais públicos do Rio.

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