Curitiba- Trinta ponto nove porcento do total de presos condenados no Paraná cumprem pena em locais inadequados, geralmente superlotados, que não oferecem condições de recuperação. Atualmente existem em todo o Estado 9.640 presos condenados e detidos. Destes, 6.652 estão abrigados em penitenciárias e outros 2.988 estão ''empilhados'' nas cadeias públicas das delegacias da Polícia Civil. Os números oficiais são da Secretaria de Estado da Segurança Pública.
A situação já esteve pior. Em 2003, quase a metade da população carcerária paranaense cumpria pena em delegacias, como atestou pesquisa realizada pela ONG Centro de Justiça Global, com sede no Rio de Janeiro. No ranking dos estados que mais alojaram presos em delegacias, o Estado ocupou a quarta colocação, perdendo apenas para Minas Gerais, Maranhão e Goiás. Quarenta e oito porcento dos presos do Paraná ocupavam celas improvisadas em delegacias e distritos.
O problema é consequência da falta de vagas no sistema carcerário. O Estado conta hoje com 17 unidades penais de regime fechado e semi-aberto. A pesquisa da ONG Justiça Global foi realizada em parceria com o Centro de Estudos de Segurança da Universidade Cândido Mendes, do Rio de Janeiro, com o objetivo de revelar o perfil da população carcerária brasileira. Essa população dobrou entre os anos de 1995 e 2003. No meio da década de 90, havia 148.760 detentos. No ano passado, esse número passou para 308.304.
Segundo Andressa Caldas, diretora jurídica da Justiça Global, deveriam ficar detidos nos distritos os presos que estão sendo investigados. Situação como a que se encontra o Paraná e Minas que em 2003 tinha 78% dos presos em delegacias , mostra o ''inchaço e a superlotação do sistema carcerário'', afirmou Andressa Caldas, em entrevista à Folha. Ela disse que a ONG Justiça Global defende que, junto com a construção de novos presídios, as autoridades brasileiras devem investir mais na aplicação de penas alternativas e na realização de mutirões de revisões penais.
O estudo realizado pela ONG Justiça Global revelou ainda outras três questões importantes: a diminuição da idade dos presos brasileiros (54% tinham menos de 30 anos), baixa escolaridade dos detentos e a grande ociosidade nas penitenciárias do País.
A pesquisa, referente a 2003 e que rendeu página na ''Folha de S.Paulo'', do final de semana, surpreendeu o presidente da Comissão de Direitos Humanos e Cidadania da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de Curitiba, Cleverson Marinho Teixeira. ''Não imaginava que estivesse tão ruim (a situação).'' Para ele, os governos federal e estadual devem ''olhar e resolver isso o mais rápido possível''. Teixeira lembra que as rebeliões, que se tornaram tão frequentes no País, são consequência desse quadro. (Colaborou Leandro Donatti)

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