Quatro agentes da Penitenciária Estadual de Londrina (PEL) permaneceram por mais de 11 horas como reféns de quatro presos que seriam ligados à facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC). O motim começou por volta das 11 horas, quando quatro dos 60 internos da sétima galeria - a mais perigosa da unidade - armados com estoques e uma pistola falsa renderam os agentes que chegavam com o almoço. Os amotinados exigiam ser transferidos para presídios paulistas de Assis e Marília. A rendição só aconteceu após às 21 horas, com a intermediação de um diretor do Departamento Penitenciário do Estado (Depen). Os presos acabaram transferidos para a Penitenciária Central do Estado, em Piraquara, na Região Metropolitana de Curitiba.
Inicialmente, a informação da direção da PEL era de que os funcionários teriam sido rendidos com pedaços de cabos de vassoura e trancados junto com os internos. Os quatro presos exigiram, de imediato, a transferência da unidade e a presença do juiz corregedor da Vara de Execuções Penais (VEP), Roberto do Valle. No meio da tarde o juiz informou que não iria participar da negociação porque o que era de sua competência - autorizar a transferência dos presos - ele já havia feito. ''Não sou negociador, sou juiz. Existe inclusive uma determinação da Corregedoria de Justiça para que não participemos de negociações com detentos'', argumentou.
No início da tarde, os presos também exigiram a presença da imprensa, foram atendidos, agrediram os reféns diante das câmeras mas a rendição não aconteceu. Representantes do Centro de Direitos Humanos (CDH) estiveram com os internos mas também não obtiveram êxito. Às 17 horas, o diretor do Depen, Honório Bortolini, chegou de Curitiba e retomou as negociações, que até aquele momento caminhava de forma improvisada.
O diretor da PEL, Raimundo Hiroshi Kitanishi, informou que na sétima galeria ficam detidos os presos ''mais problemáticos'' e com problemas disciplinares. Os quatro internos que lideraram o motim cumpriam pena há cerca de dois anos. Apenas o preso identificado como Wiliam, um dos líderes, teria condenações que ultrapassariam os 50 anos. Todos seriam do interior do Paraná.
No final da tarde, dezenas de homens do Pelotão de Choque da Polícia Militar e do Comando de Operações Especais (COE) entraram na unidade preparados para uma eventual invasão. O planejamento não chegou a ser colocado em prática porque, segundo o tenente Nelson Villa Junior não houve risco iminente de morte dos reféns.
Segundo um agente penitenciário que presenciou parte do conflito, um dos reféns, também agente, estava amarrado num colchão e os presos ameaçavam atear fogo nele caso não aparecesse nenhuma autoridade no local autorizando a transferência. Durante as negociações, todos os 60 presos da galeria permaneceram no pátio e apenas os quatro que lideravam a rebelião ficaram na cela com os reféns.

mockup