Presos do Paraná fazem rebelião de cinco horas e usam refém
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terça-feira, 16 de maio de 2006
Fábio Galão<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Trinta e um presos de uma galeria do Centro de Detenção Provisória de São José dos Pinhais (Região Metropolitana de Curitiba) fizeram ontem uma rebelião de aproximadamente cinco horas. Eles mantiveram um agente penitenciário como refém. O motim teve início pela manhã.
Segundo a Polícia Militar, o tumulto começou em três galerias, mas devido à ação rápida dos policiais e dos agentes a rebelião ficou restrita a uma galeria. A PM informou que os presos bateram nas grades. A polícia utilizou bombas de efeito moral para conter a agitação. Dois detidos teriam
ficado feridos.
Os presos exigiram a presença do juiz da Vara de Execuções Penais e da imprensa. Segundo o tenente-coronel Amauri Lubian, comandante do Batalhão de Guarda, os detidos requisitaram melhorias, principalmente na alimentação e nos banheiros. O policial apontou que a Justiça e o governo do Estado deverão analisar as reivindicações. O refém foi liberado às 15h30.
Na segunda-feira, um advogado, que seria representante de membros do Primeiro Comando da Capital (PCC), foi preso no Centro de Detenção Provisória acusado de repassar aos presos determinação de generais do PCC para que fossem realizadas rebeliões em presídios do Paraná. Lubian disse que não recebeu nenhuma infor-mação de que o motim de ontem estaria relacionado à prisão do profissional. Entretanto, admitiu que um dos presos da galeria onde houve a rebelião havia conversado com o advogado na segunda-feira.
O Sindicato dos Servidores do Sistema Penitenciário do Paraná acredita que o motim está relacionado à prisão. É ingênuo dizer que não há ligação, disse a presidente do sindicato, Sandra Márcia Duarte, que citou os ataques que o PCC está promovendo em São Paulo. O Paraná tem que tomar todas as precauções e o policiamento precisa ser reforçado nos presídios.
Durante as cerca de cinco horas de rebelião, familiares de presos esperaram em frente ao Centro de Detenção Provisória. Kelly Pereira, 21 anos, veio visitar o marido. Ela estava com a filha de apenas 16 dias, que iria conhecer o pai. Disseram que a gente não podia entrar. Estou com medo de que façam alguma coisa com meu marido, disse Kelly.
Outra mulher, esposa de um preso e que não quis se identificar, fez críticas ao presídio. Aqui não tem banheiro no pátio, a alimentação é ruim, os presos estão passando fome, não tem visita íntima, não tem atividades para os detidos. Esse presídio é horrível, criticou. O Centro de Detenção Provisória de São José dos Pinhais foi inaugurado em dezembro de 2005. Segundo a direção da unidade, no início desta semana o presídio estava com 753 presos, menos do que a capacidade total, que é de 864 detidos.
Em solenidade na Assembléia Legislativa, o governador Roberto Requião (PMDB), visivelmente irritado, se recusou a falar com a imprensa sobre a rebelião em São José dos Pinhais. Pergunte para o secretário da Justiça, disse, após muita insistência dos jornalistas.
(Colaborou Andréa Bordinhão)


