Presos do Carandiru se rebelam e fazem 20 reféns
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segunda-feira, 05 de maio de 1997
Agência Estado 
SÃO PAULO - Treze presos se rebelaram na manhã de ontem no Pavilhão 6 da Casa de Detenção, no Carandiru, na zona norte de São Paulo, dominaram 20 agentes penitenciários e exigiram transferência para a Penitenciária de Bauru, no interior do Estado. Durante seis horas, os detentos, condenados por assaltos e estelionato, apontaram estiletes e facas para o pescoço, peito e costas dos funcionários prometendo matá-los se não fossem atendidos.
Pouco depois das 16 horas, um ônibus da Penitenciária do Estado levando os presidiários e três reféns deixou o prédio com destino a Bauru escoltado por dois carros da PM com quatro PMs armados em cada veículo. Um dos reféns foi o diretor de disciplina da Casa de Detenção, Florival Alves da Silva. Os outros, os agentes penitenciários Cleber e Rubens, se ofereceram para a viagem.
Os rebelados cumpriam condenação nos Pavilhões 8, dos reincidentes e o 9 dos primários. Eles conseguiram chegar sem problemas ao Pavilhão 6, onde funciona o setor administrativo do presídio, mediante a versão de que precisavam saber como estavam os processos de pedido de diminuição de pena. Assim que os 13 se juntaram na entrada do Pavilhão sacaram de estiletes e facas e passaram a dominar os agentes penitenciários. Mandaram chamar o diretor de disciplina do presídio e disseram que se não fossem transferidos para Bauru até as 15 horas começariam a matar os reféns.
Com a insistência dos presos em seguir para Bauru, o diretor da Detenção, Walter Erwin Hoffgen, chamou Lourival Gomes, da Coordenadoria dos Estabelecimentos Penitenciários do Estado (Coespe), que também não conseguiu convencer os detentos a liberar os reféns. Por volta das 11 horas, os 13 condenados libertaram um funcionário que começou a passar mal com as ameaças de morte: teve queda de pressão e taquicardia.
Pouco depois do meio-dia, a guarda foi reforçada nas muralhas e a única solução encontrada, segundo Gomes, foi atender a exigência dos rebelados. Antes de entrarem no ônibus da Penitenciária com três reféns, os presos exigiram a presença de uma equipe de televisão. Os 13 detentos foram filmados, com as cabeças cobertas com blusas e camisas e armados com estiletes, entrando no ônibus que saiu em velocidade com destino a Marginal do Tietê. Os reféns seriam libertados em Bauru.


