Presos dez acusados de destruir delegacia e viatura policial no Pará
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terça-feira, 15 de fevereiro de 2000
Por Carlos Mendes, especial para a AE 
Belém, 16 (AE) - Dez acusados de depredar e depois incendiar, ontem, a delegacia e a única viatura policial de Santa Maria do Pará, na região nordeste do Estado, foram presos hoje pela manhã. Todos foram indiciados por danos ao patrimônio público. A destruição aconteceu após o assassinato do árbitro de futebol amador João Leonel de Araújo, o Dão, de 37 anos, à bala. O autor do disparo que matou o árbitro, Francisco Alves de Freitas, o Jorge, também foi preso.
Em seu depoimento, Francisco Alves - que presta serviços à Polícia Civil há um ano sem ter sido efetivado - alegou legítima defesa e disse que matou Araújo depois de ser esfaqueado por ele. Apresentando marcas de golpes de faca pelo corpo disse "matei para não morrer". O crime revoltou a população local. Araújo era uma figura estimada na cidade, enquanto Francisco Alves é tido como pessoa violenta e viciada em drogas.
Ao saberem que o acusado havia fugido, mais de 800 pessoas rumaram para a delegacia, que em 50 minutos foi totalmente destruída e incendiada. A viatura policial, estacionada na frente do prédio, também virou cinzas. Para identificar e prender os responsáveis pelo vandalismo, o delegado Éden Bentes utilizou-se de imagens de vídeo gravadas por um cinegrafista amador. Francisco Ferreira da Silva, o Viquinha, é acusado de liderar o quebra-quebra.
Essa é a segunda vez que a população incendeia a mesma delegacia. Há 18 anos, um jovem da cidade, Ribamar Maciel, foi morto com um tiro no peito por um caco da PM, durante uma partida de futebol, no estádio local, entre o Clube do Remo, de Belém, e a seleção de Santa Maria.


