Presos desenvolvem técnicas de arte
Marta Medeiros - De Maringá
Especial para a Folha
Presos da Penitenciária Estadual de Maringá (PEM) tiveram a oportunidade de aprender, durante dois dias, com a artista plástica Maria do Carmo Marisquirena Duarte, do Rio Grande do Sul, a técnica de relevo em superfície. As aulas terminaram na quarta-feira e revelaram muitos dons, cores e formas no espaço reservado da penitenciária. É a primeira vez que presos da PEM recebem aulas de um artista plástico. Também é a primeira vez que venho para uma penitenciária ensinar o que conheço, ressalta Maria do Carmo.
O contato aconteceu no Shopping Mercadorama onde foram expostos trabalhos de Maria do Carmo e dos presos da PEM. Fiquei impressionada com o trabalho dos internos. Busquei informações e acabei aceitando o convite para ensinar a eles a técnica, disse a artista.
Segundo Maria do Carmo, a técnica em relevo é contemporânea e inspira movimentos soltos ou conexos, conforme o gosto do artista que tem liberdade de lidar diretamente com a massa. As cores são colocadas em seguida e vão se misturando de acordo com a inspiração, com a vontade interior, explica. Me dedico ao abstrato, mas a técnica também permite o figurativo, acrescenta Maria do Carmo.
Para a chefe da Divisão Ocupacional da PEM, a pedagoga Maria Bernadete Gealh, a presença da artista valorizou a penitenciária e os internos. É uma porta que se abre para uma futura reintegração, disse.
Os sete presos que participaram do curso foram selecionados da disciplina de educação artística. Maria Bernadete tem esperanças de que outros artistas se interessem em dar aulas na PEM. As pessoas que viram as obras dos presos na exposição ficaram impressionadas porque perceberam o lado bom que todo ser humano tem. Por isso, é válido a continuidade deste trabalho, ressaltou a pedagoga.
O detento Ramon de Albuquerque, 40 anos, que faz trabalhos em gesso, madeira e cobre, disse que não conhecia o relevo em superfície. Albuquerque foi um dos mais ousados nas aulas, deixou o abstrato de preferência da artista e aplicou a técnica na forma figurativa, criando a cabeça de um cavalo. Gostei muito deste contato direto com a massa formando a idéia, descreveu.
Albuquerque contou que pretende continuar suas atividades artísticas. Tenho um projeto de vida que inclui a montagem de um ateliê, destacou. A mesma intenção revelou o detento Gilberto Barbosa Santos, 24 anos. Ele ficou impressionado com a experiência de poder aprender uma técnica atual, fora do circuito habitual da PEM. Pretendo continuar desenvolvendo este tipo de trabalho, afirmou.





