São José dos Campos, SP, 14 (AE) - Cerca de 400 presos de Cadeia do Putim, de São José dos Campos, no Vale do Paraíba (SP), iniciaram uma rebelião por volta das 17 horas de hoje. Um dos motivos da revolta são as denúncias de favorecimento de alguns detentos que teriam pagado propina para obter regalias no presídio, classificado como de segurança máxima. Um relatório sobre as possíveis irregularidades foi entregue no começo da semana à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Judiciário no Senado pela deputada federal, ¶ngela Guadagnin (PT-SP, ex-prefeita da cidade, e o senador Eduardo Suplicy (PT-SP).
Os presos exigiram a presença do delegado regional de polícia, Antonio Carlos Gonçalves Silva, da promotora pública Claudia Fideles, além dos principais alvos das acusações, o juiz da Vara Criminal Joaquim Guilherme Figueira Nascimento e o ex-diretor do presídio, delegado Antonio Carlos Dias Pereira Filho. Segundo os denunciantes, os dois últimos participam de um esquema de corrupção instituído dentro da cadeia. A Polícia Militar está cercando o local e reforçou a vigilância nas muralhas.
Segundo familiares dos presos amotinados, nos últimos dias, os policiais que trabalham na cadeia passaram a adotar medidas de represálias contra os encarcerados, caso continuem as denúncias. O clima era muito tenso desde que esse processo começou. Um barracão construído fora dos limites do presídio, que abrigava os detentos beneficiados irregularmente, foi fechado.
Vários presos passaram a ser transferidos para outras cadeias do Estado. As denúncias da existência de um esquema de corrupção envolvendo o ex-diretor da cadeia e o juiz da Vara de Execuções Criminais também envolve presos, advogados e funcionários do presídio. Uma carta anônima com vários documentos comprovando as irregularidades foram enviados à imprensa local no início do mês. Familiares de presos e detentos começaram a relatar pagamentos de altas somas para obter regalias na cadeia com respaldo do Judiciário.
Neste período, o responsável pelo presídio pediu afastamento do cargo e a Secretaria de Segurança Pública e o Tribunal de Justiça investigam as acusações. Os presos rebelados quebraram os cadeados das celas e invadiram o pátio interno. Também quebraram as paredes que dividem os pavilhões e teriam arrombado as celas de segurança. A cadeia foi totalmente reformada no início deste ano, depois de ser parcialmente destruída em outros levantes.
A polícia rodoviária estadual está de prontidão para evitar que numa possível fuga, os detentos consigam chegar às rodovias Carvalho Pinto e Tamoios, que ficam nas proximidades. A cadeia do Putim tem em sua histórias as duas maiores fugas em massa do Brasil. No ano de 1997, 197 detentos saíram pela portão da frente e um ano antes, 156 também deixaram o local. Há indícios que houve facilitação por parte dos policiais.

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