Presos de Sarandi tentam fugir pelo esgoto
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sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008
Giancarlo Franquini<br>Especial para a Folha 
Presos da cadeia de Sarandi tentaram usar a rede de esgoto da delegacia para cavar um túnel. O plano foi descoberto na noite de quinta-feira, quando os carcereiros notaram que a caixa de esgoto estava ficando cheia de terra. Além dos problemas de superloção, os presos também estão enfrentando um surto de sarna. Ontem, médicos e enfermeiros da Secretária Municipal de Saúde foram até o local para iniciar o tratamento das 22 mulheres presas.
Segundo o delegado de Sarandi, Maurício de Lima Filho, o plano foi descoberto por volta das 22 horas de quinta-feira. Os policiais encontraram 11 presos dentro do túnel, que já estava com quatro metros de extensão. Os detentos arrancaram o vaso sanitário da cela e usaram a rede de esgoto como base para cavar o túnel. Eles pretendiam sair na frente da delegacia.
De acordo com Lima, os presos não conseguiriam fugir, porque em torno de toda delegacia foi construído um muro com três metros profundidade e eles teriam de passar por esse obstáculo. ''Essa parede foi feita para desmoronar e impedir a construção de túneis. Os detentos já foram avisados para não cavar. Mais cedo ou mais tarde alguém vai acabar sendo soterrado'', explicou.
Os 11 presos que estavam na cela onde foi cavado o buraco, ficaram isolados ontem dentro da delegacia, para que pudessem ser feitos reparos no local. Hoje, a delegacia de Sarandi abriga 184 detentos e foi construída para abrigar apenas 46.
Além dos problemas de superlotação, dezenas de detentos foram infectados por sarna. Ontem médicos e enfermeiros começaram o tratamento. O delegado informou que as mulheres serão atendidas primeiro e depois os homens. No ano passado, a cadeia de Sarandi também registrou um caso de tuberculose e 60 detentos funcionários tiveram de fazer exames para descobrir se não haviam contraído a doença. ''O problema da superlotação acaba gerando outros problemas como esse surto de agora'', completou o delegado.


