Presos de Piraquara fazem reféns agente e enfermeira
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segunda-feira, 23 de outubro de 2006
Fábio Galão<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Até o início da noite de ontem, presos do Centro de Detenção e Ressocialização (CDR) de Piraquara (Região Metropolitana de Curitiba) mantinham um agente penitenciário e uma enfermeira como reféns. A rebelião teve início às 11h15. Segundo a Polícia Militar, 114 presos de quatro galerias se rebelaram. A principal reivindicação era a transferência de alguns detentos para outros Estados.
Segundo a major Mirian Nóbrega, do setor de comunicação da PM, os presos passariam uma lista com os nomes dos que queriam ser transferidos. A policial comentou que ''não mais do que 15'' poderiam ser removidos. ''Haverá transferência de alguns presos, até por uma questão de segurança. Algumas galerias foram danificadas'', disse a major, no final da tarde.
A policial comentou que a rebelião teve início no banho de sol dos presos. O agente penitenciário e a enfermeira estavam perto dos detentos e foram rendidos. A major Mirian afirmou que os presos não tinham armas. Entretanto, em nota, o Governo do Estado informou que os detentos estavam ''armados com estoques''. A PM informou que ninguém foi ferido durante a rebelião.
A falta de informações gerou angústia entre parentes de presos. A mãe de um detento foi ao CDR logo que soube da rebelião pelo rádio. Entretanto, a exemplo da imprensa, foi barrada no portão localizado ao lado do muro da Penitenciária Central do Estado (PCE) e chorou quando os agentes disseram que não tinham maiores informações sobre a rebelião.
O pedreiro Alcides Alves Soares, 50 anos, tinha ido ao CDR acertar a documentação para que seu filho, preso na unidade por roubo, pudesse receber visitas. ''Não o vemos há três meses, desde que ele veio para o CDR'', disse Soares.
Valéria Waltrick, namorada de outro preso, confirmou que algumas famílias estão com dificuldades para ver parentes detidos, devido à burocracia, e disse que os presos reclamam da comida. ''E trabalho não tem aí, só para um ou outro'', criticou.
A assessoria da Secretaria de Estado da Justiça apontou que ninguém poderia comentar as críticas, já que a cúpula da secretaria estava envolvida nas últimas negociações para liberação dos reféns.
A rebelião de ontem foi a segunda no CDR de Piraquara desde a inauguração da unidade, em junho. O presídio tem capacidade para 960 presos e ontem estava com 844 detentos. A maioria veio transferida do presídio do Ahú, de Curitiba, fechado recentemente.


