A rebelião na Penitenciária Regional do Carumbé, em Cuiabá (Mato Grosso), completou, ontem às 20 horas, 29 horas sem solução. Os 356 presos mantinham 150 pessoas como reféns. Dez mulheres e quatro crianças, entre elas um bebê de dois meses, foram libertados às 19 horas. Não havia registro de feridos ou mortos. Cerca de 150 policiais militares cercavam o presídio.
O número oficial de reféns só foi confirmado no início da noite de ontem pelo porta-voz da Polícia Militar, tenente Nivaldo José. Com exceção de quatro agentes penitenciários, todos os reféns (107 mulheres, 46 crianças e 7 homens) são parentes dos detentos que entraram anteontem no presídio como visitas.
A rebelião começou na tarde de quinta-feira, por volta das 15 horas, quando a polícia descobriu um túnel que seria usado para a fuga de presos. A partir daí os presos se rebelaram e tomaram familiares e agentes penitenciários como reféns.
A Polícia de Mato Grosso não confirmou ainda oficialmente se alguns dos presos que comandam a rebelião fazem parte do chamado Primeiro Comando da Capital (PCC), um grupo organizado de presidiários que lidera as rebeliões nas cadeias do Sudeste, a partir de São Paulo. A situação, segundo as autoridades, está sob controle.
No final da tarde, a direção do presídio permitiu a entrada de cinco médicos para prestar assistência às crianças e mulheres que estariam passando mal. O secretário estadual de Justiça e Cidadania, Hermes de Abreu, disse que não vai autorizar a entrada do Comando Independente de Operações Especiais (Cioe) para libertar os reféns.
A estratégia da polícia é vencer os presos pelo cansaço. O fornecimento de energia elétrica interrompido no início da manhã de ontem continuou suspenso até a noite, no entanto, à tarde um veículo entrou no presídio levando comida e água.
Pela manhã os presos fizeram churrasco e atearam fogo em alguns colchões. Desde as 9 horas da manhã de ontem a cúpula da segurança pública de Mato Grosso está reunida para tentar solucionar o impasse.
O tenente-coronel da Polícia Militar, Antônio Moraes, e o deputado estadual Gilney Viana (PT), da Comissão de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa estão negociando diretamente com os rebelados.
Os presos exigem revisão de penas e a saída do comandante da PM do presídio, Major Faria, e do diretor do presídio, Elpídio Onofre Claro, que assumiu o cargo há cerca de 20 dias. Os detentos justificam a exigência da saída do diretor do presídio, Elpídio Claro, alegando maus-tratos.
‘‘Não há nenhuma reivindicação específica dos presos; o que nós lamentamos profundamente é que em plena Semana Santa eles usem mulheres e crianças para fazer essa rebelião’’, disse o secretário Hermes de Abreu.

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