Presos de Cambé enfrentam superlotação
PUBLICAÇÃO
domingo, 01 de março de 2015
Paulo Monteiro<br> Equipe NOSSODIA 
Cambé - "Cadeirão" prestes a explodir. Hoje, a realidade na carceragem da Delegacia de Cambé é ainda mais grave que no dia 4 de março de 2014, quando 64 presos fugiram numa fuga em massa registrada no local após renderem agentes de carceragem e investigadores de plantão. Na ocasião, o espaço tinha 169 detentos. Atualmente, com capacidade para apenas 50, a superlotada cadeia mantém 180 presos.
O perigo de uma nova fuga é iminente. Para que o caso não fuja totalmente do controle, o delegado de Cambé, Jorge Barbosa, mantém os presos "livres" em pátios e corredores da cadeia. "A situação aqui é grave. A Vigilância Sanitária e promotores da Justiça Criminal já fizeram vistorias no local e constataram que ele é totalmente insalubre", revela. "A temperatura no espaço passa dos 40°C. O calor é muito alto. Além disso, há presos com doenças respiratórias. Outros com tuberculose e sarna. Enfim, o caso é sério."
Barbosa admite que transferências até ocorrem, porém não mudam a realidade no interior da cadeia. "Saem dois, três presos, mas entram outros detidos e trazidos pelas polícias Civil e Militar", explica o delegado.
Além disso, a carceragem ainda mantém mulheres presas no mesmo ambiente, mas em celas separadas.
Os problemas não cessam por aí. A Delegacia de Cambé deveria abrigar apenas detentos que aguardam julgamentos. No entanto, pelo menos 52 dos 180 já foram condenados pela justiça e ainda aguardam a transferência para penitenciárias do Paraná.
Após ser procurada pela reportagem, a assessoria de comunicação da Vara de Execuções Penais de Londrina (VEP) informou que não há previsão de mudanças em Cambé. "Não nos foi requisitado nenhuma remoção, transferências ou benefícios para presos da cidade de Cambé", disse Nelson Ymanichi, o assessor do Departamento de Execução Penal do Paraná (Depen) na VEP.
A Secretaria da Segurança Pública e Administração Penitenciária, por parte do Núcleo de Comunicação, divulgou que estuda possibilidades para a transferência de presos da Delegacia de Cambé. Da mesma forma, a secretaria está se empenhando para acelerar as obras e reformas das unidades prisionais para tirar os presos que hoje estão custodiados em delegacias de polícia.
Os advogados de presos escutam diariamente as reclamações dos seus clientes. "Escuto muitas queixas. Entre elas do forte cheiro, da falta de higiene, da comida. Entramos com pedidos de habeas corpus e liberdade provisória, mas que são normalmente negados pela justiça", conta o advogado Renato Aparecido. Segundo ele, presos permanecem por longos períodos aguardando julgamentos. "Tenho um cliente que está há um ano para ser apresentado ao juiz."


