Curitiba- Em vez de rebeliões e atos de violência, os cerca de 86 presos do 12º Distrito Policial, no bairro de Santa Felicidade, em Curitiba, optaram pelos meios legais para denunciar a superlotação e, consequetemente, as condições precárias que são submetidos. Eles entraram com um pedido coletivo de habeas corpus. Na cadeia, com capacidade para 16 detentos, os homens estão amontoados em quatro celas e mais duas salinhas que foram utilizados para este fim. ''Só num espaço destes estão 24 presos. Nem tem colchões para todos. É uma situação caótica e difícil de ser administrada'', admitiu o delegado do distrito Joel Bino de Oliveira.
''A superlotação é uma realidade das cadeias no País e aqui não é um caso específico. Mas acho que eles foram inteligentes em tentar resolver o problema desta forma e podem realmente obter uma resposta positiva. De fato foi uma atitude inusitada'', reconhece o delegado, que é considerado autoridade co-autora no pedido coletivo de habeas corpus. ''Não tenho autoridade para resolver nada além do que já fiz. Qualquer movimentação deles quem determina é o juiz da Vara de Execuções Penais e eu obedeço'', disse.
Os detentos entraram com o pedido de habeas corpus no dia 30 de maio. Desejam conseguir a remoção para o sistema penitenciário, onde terão direito a banhos de sol e contato com familiares. ''Uns dormem à noite e outros de dia porque não tem espaço para todos, disse o detento Vander Monfler, de 24 anos. ''A gente queria que a Justiça funcionasse, para tirar daqui quem deve ir para as colônias penais. Tem pai que quer dar um abraço no filho e não pode, porque não tem espaço para isso aqui. Nem ar temos para respirar aqui direito'', lamenta o preso.
O representante do processo, Márcio César Bueno, 45 anos, que está preso há oito meses, acredita que a iniciativa não vai dar em nada. ''Tive a idéia de pedir aos estagiários da OAB para formalizar o pedido coletivo de habeas corpus, porque sabemos que agir violentamente com os policiais não está certo. O delegado não tem culpa. A culpa é do sistema judiciário que vai continuar na mesma'', disse. ''Resolvemos denunciar as péssimas condições de higiene. Tem gente que pegou tuberculose e meningite aqui. À noite, por falta de guardas, temos que fazer as fezes em sacos plásticos e urinar em garrafas porque não tem como ir ao banheiro'', relata Bueno.
A Corregedoria dos Presídios da Vara de Execuções Penais (VEP) disse não constar pedido de habeas corpus coletivo, mas um abaixo assinado coletivo dos presos. Segundo a Corregedoria, no dia 16 de junho foram removidos nove presos.

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