Hortolândia, SP, 20 (AE) - Os presos da Penitenciária 3 de Hortolândia, no interior de São Paulo, vão receber a visita de 36 crianças de 1 a 6 anos da creche Cantinho de Luz, zona sul de Campinas (SP), quarta-feira (22). A visita é uma forma de agradecimento pelas doações de roupa, alimentos e brinquedos angariados pelos familiares dos presos e repassados à creche em 5 de julho e 6 de dezembro. Os presos "adotaram" a creche, após tomar conhecimento que ela poderia fechar por falta de recursos.
A penitenciária abriga 824 detentos condenados com penas acima de três anos. Cerca de 270 deles têm alguma atividade de trabalho com empresas conveniadas ao presídio: confecção de bolas de futebol, solas para sapatos, fundição de jóias, blocos de cimento para construção e material religioso e recebem três quartos do salário mínimo, além da redução da pena.
Segundo o diretor-geral da Penitenciária 3, José Tomaz Celidônio Gomes dos Reis, a iniciativa de ajudar a creche partiu de um grupo que queria participar "da vida lá de fora". O movimento foi crescendo e, hoje, a grande maioria dos presos busca fazer doações para outras entidades. "Trabalhamos com a melhoria da auto-estima deles e queremos dar condições de resgatar a disciplina." Reis disse ainda que, "um dia, eles vão sair e, quem sabe, até melhores do que chegaram aqui". A última rebelião na penitenciária aconteceu em outubro de 1995, quando morreram três presos e três funcionários.
A assistente social Angela Garcia de Oliveira Souza, coordenadora da creche Cantinho de Luz, disse que recebeu com surpresa a ajuda do presídio - 60 quilos de feijão, 170 de arroz e 60 de leite em pó, 400 pacotes de bolacha, brinquedos para cada criança e roupas infantis e de adultos. "Nós esperávamos desesperadamente ajuda e, quando nos chamaram, fiquei emocionada." A creche reabriu em dezembro de 1998 e aguardava registro da prefeitura. Sem repasse de verba do Conselho Municipal de Assistência Social (CMAS) de Campinas, sobreviveu com recursos das mães e comunidade. Desde agosto deste ano, está legalmente registrada pelo CMAS e tem um repasse mensal de R$ 2.569,00. Segundo Angela, são necessários por mês R$ 4.179,00 para o pagamento de água, luz, manutenção, material pedagógico e pagamento das quatro funcionárias. "Com a ajuda da penitenciária, estamos mais aliviadas", conclui ela.

mockup