Rio, 30 (AE) - Presos da 16ª Delegacia de Polícia (Barra da Tijuca) rebelaram-se hoje pela manhã para exigir uma solução para a superlotação do local. Dentre os 97 detentos, estavam o irmão do jogador Edmundo, do Vasco da Gama, Luís Carlos Alves de Souza, e o filho do cantor Wando, Wanderley Júnior. Após quatro horas de negociação, os presos aceitaram a promessa dos policiais de que 27 deles seriam transferidos. Na verdade, todos os presos iriam deixar a delegacia, até o fim do dia, porque a rebelião começou após uma tentativa de fuga frustrada, inciada de madrugada, quando as grades das celas foram cerradas.
O delegado da 16ª DP, Napoleão Salgado, admitiu a superlotação. Segundo ele, a delegacia tem capacidade para 50 presos. "Vamos fazer uma triagem para escolher quais presos ficarão aqui e quais serão transferidos", informou o delegado.
"Mas antes teremos de reformar as celas." Ele não soube precisar por quanto tempo a delegacia ficará vazia. A rebelião começou por volta das 8 horas, quando o detetive Fábio Guimarães fazia a primeira ronda do dia. Um dos presos chamou-o sob a alegação de que estava passando mal. Ao se aproximar, o detetive foi feito refém pelos presos, que invadiram o pátio.
Ao ver a movimentação no pátio, um dos seis policiais de plantão pediu reforço. Em meia hora, a delegacia foi cercada por 30 policiais militares da 7ª Companhia Independente (CIPM) e do 18º Batalhão da Polícia Militar (BPM). "O detetive é muito querido pelos presos e não estava armado", contou o delegado. "Se não fosse isso, a situação poderia ter sido pior."
Mesmo assim, o clima foi tenso durante as negociações. Além de exigir transferências, os presos queriam receber telefones celulares e encontrar-se com representantes de entidades ligadas aos direitos humanos. Não receberam os telefones e nenhum representante desse tipo de entidade compareceu ao local.
As negociações foram conduzidas por detetives da Coordenadoria de Inteligência da Polícia Civil (Cinap), pelo diretor da Delegacia Metropolitana da Zona Sul do Rio (Metropol II), Rogério Marquenze, e por um voluntário. O advogado Silo Manuel Gonçalves apareceu na delegacia para oferecer ajuda aos policiais, após ouvir pelo rádio uma notícia sobre a rebelião.
Suspeito de ser o líder do movimento, o irmão de Edmundo acabou se mostrando mais preocupado em resolver o problema. Quando as negociações pareciam que iriam chegar a um impasse, ele e o filho de Wando propuseram ficar como reféns dos "colegas" em troca da liberdade do detetive. Os presos não aceitaram a oferta. Souza está preso desde 3 de outubro por furto à casa do irmão, na Barra da Tijuca. Já Wanderley Júnior foi preso no início do ano por agressão e porte de arma.
Hoje, 25 presos seriam transferidos para três delegacias que tivessem condições de os receber. Outros 72 iriam provisoriamente para a 10ª DP (Botafogo). Condenado por assalto, Flávio de Oliveira Rodrigues contou que aderiu ao movimento porque, há um ano, poderia ter saído da delegacia. "Fui condenado a cumprir pena em regime semi-aberto e, até agora, estou aqui", disse.
Já Juarez Rodrigues de Oliveira, preso por tentativa de homicídio e condenado a oito anos de prisão, contou ter participado da rebelião porque gostava mais da antiga delegacia onde estava, a 14ª DP (Gávea). "Não me conformo com a transferência porque lá as condições eram melhores", afirmou.

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